Crônica: Insônia

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São 3h da madrugada. Viro na cama procurando uma posição confortável, mas parece que nenhuma me agrada. Sem sono nenhum e com a cabeça cheia demais para me concentrar no meu cansaço. Desistindo de tentar dormir, resolvi me levantar para andar um pouco pela casa afim de esvaziar a mente e conseguir enfim descansar. A vista da janela poderia ser descrita como linda, as estrelas iluminando o céu e a vida noturna acontecendo enquanto o mundo (pelo menos desse lado do hemisfério) esta dormindo. Era assim que gostaria de descreve-la, na verdade. Mas os prédios impediam toda a visão da janela e as luzes ofuscavam o brilho das estrelas. Ah, a vida na cidade grande. Selva de concreto. Poucas janelas com luzes acesas, algumas pessoas passando pela avenida lá embaixo, alguns estabelecimentos ainda abertos. Apesar da hora, ainda existia o barulho do tráfego. Desistindo de observar a agitação das ruas, resolvi fazer aquele famoso lanchinho da noite. Enquanto colocava suco no copo, quase derrubava tudo e causava uma bagunça na cozinha quando o celular toca e eu levo um susto. O toque de notificação quebrou o silêncio do apartamento. Quem seria em plena 3:14 da manhã? Bufei olhando no relógio e indo olhar o celular. Era agora que ninguém me deixaria dormir mesmo. Uma nova mensagem no Whatsapp. Não devia ser nada de importante, apenas alguma outra pessoa com insônia querendo tirar o tédio da madrugada. Mas meu coração parou por um instante ao visualizar a mensagem. Era ele.

"Oi. Espero não ter te acordado (="

"Que nada, estava sem sono" digitando apressada acabei por esquecer o copo com o suco intocado em algum cando da casa.

"Eu também. Como vai?"

"Com insonia :s e você?"

"Entediado."

E essa foi a última mensagem daquela noite. Fiquei com dúvida se mandava mais alguma mensagem, mas só pude me perguntar pelo resto da vida o que teria acontecido se eu tivesse feito isso. Conversa sem graça não? Não deve ter durado mais do que dois minutos. Mas foi o suficiente. O suficiente pra me deixar cheia de expectativas infundadas e que com certeza me fariam quebrar a cara depois. Eu estava parecendo uma menina de 3° série! Um simples "oi" de um garoto em especial e eu já me derreto toda. Como pode isso? Era inadmissível. Tentava tira-lo da cabeça, novamente, mas nada parecia dar certo. Pensava que já estava curada desse amor atração impossível, mas pelo visto nunca estive tão enganada. Não era justo que ele mexesse tanto assim comigo. 

Três e quarenta da manhã, e me sentindo derrotada e ao mesmo tempo esgotada, peguei um livro na estante tendo consciência que naquela noite eu não iria mais conseguir dormir. Esperaria o dia amanhecer lendo, e o que iria fazer depois era preocupação do futuro. 

Tentava desesperadamente ler "Harry Potter", mas eu lia várias vezes a mesma frase porque a mesma não entrava em minha mente, que estava longe. Mais precisamente a 3 quarteirões dali. Em um prédio antigo alaranjado, muito simpático e com algumas plantas trepadeiras enfeitando. Apartamento número 7. O dono? Era o dono também do sorriso mais belo e cativante de todo mundo. Olhos intensos e quase ocultos pela franja rebelde. Um jovem rapaz cheio de vida, dono do apartamento, dono do sorriso, dos olhos, da franja, do meu coração. Mas ele também era propriedade. Minha é que não era. Infelizmente. Era de um linda (e detestável, devo dizer) moça, muito mais interessante do que eu, ainda mais aos olhos dele. Com certeza ela não iria gostar nada de saber o que se passava na minha mente no momento. 

Fechei o livro também desistindo de ler. Chequei para ver se haviam mais mensagens, mas é claro que não tinha. Porque ele iria perder seu tempo conversando comigo? E porque eu me iludia pensando que ele se importava comigo apenas porque perguntou "Como vai?". Ele não queria saber, perguntou por obrigação. Para ele, eu era apenas mais um garota, sem nada de especial, e nem passava por sua mente que para mim, ele podia ser. Meus olhos se encheram de lágrimas com o coração apertado. Tudo entalado na minha garganta parecia sufocar, ainda mais porque sabia que nunca poderia cuspir aquelas palavras. Depois de alguns minutos lamentando as más escolhas do coração, finalmente fechei os olhos e consegui dormir até o dia amanhecer novamente para mais um dia sobrevivendo. 

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