Crônica: Existe felicidade ou apenas comodidade?

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Ela olha pela janela e sorri. Nada de paisagens paradisíacas ou coisas do tipo. A mesma imagem dos outros blocos do seu condomínio, as mesmas manchas na pintura, a mesma rua deserta e o mesmo jardim bem cuidado de sempre. Ela morara a vida toda lá e sempre que olhava pela janela do quarto tinha essa  mesma visão. Mas ela gostava. Depois dos prédios ela sabia que tinha uma avenida movimentada e que nos arredores daquela rua tranquila a noite acontecia. Ela gostava da música que ás vezes vinha dos barzinhos por perto, do barulho do trânsito e até de, uma vez por outra no silêncio da madrugada, ouvir o barulho do pinel de um carro quando para com tudo no asfalto. Não pense que ela é uma maníaca, só se sente menos sozinha sabendo que a vida acontece em algum lugar por perto. 

Sempre foi tímida, se sente desconfortável no meio de multidões, mas nunca se acostumará a viver isolada. Ela gosta mesmo é de ver gente, de viver no meio do que muitos chama de inferno, que na verdade é só a vida na cidade grande. 

Nunca foi muito apegada a essas coisas de meio-ambiente. Não que não se importe com eles, mas animais e plantas nunca foram sua praia. De longe, lá na natureza, são mais bonitos. Acho que é porque lá que é o lugar deles, assim como no meio da selva de pedra é o lugar dela. Ela que não se importar com a correria do século XXI porque consegue parar no meio da calçada para admirar algum grafite bonito que alguém fez naquela antiga parede branca e sem graça. Que anda de bicicleta em meio ao mar de automóveis porque acha absurda a ideia de alguém ir daqui pra li sujando o ar por pura preguiça. Que  fica feliz em abrir a janela do prédio e ver o movimento lá em baixo e então, como criança, ficar imaginando as pessoas como pequenas formigas, mas como formiguinhas felizes e essa talvez seja a parte mais ingênua e infantil de tudo isso.

Há realmente felicidade na correria da cidade grande ou apenas as pessoas dizem que sim porque já estão acostumadas com essa rotina desgastante?

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