Tem a ver com ser leitor, mas não consigo pensar em um título suficientemente bom

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Só não me ache louca.

Escrevendo apenas pela simples necessidade de escrever. E então você pode me perguntar: mas não é sempre por isso que escrevemos? Acontece que agora se trata de um caso de vida ou morte. Isso sempre acontece quando estou no meio de um bom livro. Começo a ler, começo a refletir sobre ele e quando vejo estou no meio de uma imensa reflexão sobre o livro, a vida e tudo mais. E então tudo que eu queria era alguém com quem eu pudesse compartilhar essas loucas reflexões, e que pudesse compartilhar suas próprias reflexões comigo. Porém não tenho esse alguém e nem muito menos aonde arranja-lo. Certeza eu só tenho que, na melhor das hipóteses, a pessoa se afastaria aos poucos, porque seria educada demais para gritar na minha cara que não aguenta mais ouvir falatório sem nexo de uma garota maluca que já está a deixando louca.

No livro que estou lendo, A Culpa É das Estrelas, a personagem conversa com o amigo sobre um livro, e eles fazem essas reflexões, são bem legais. Eu os invejo. Na verdade, eu invejo todos os meus personagens de livro favoritos. Às vezes, eu só queria que minha vida fosse como os romances que eu leio. Queria viver um daqueles romances. No meio de alguma aventura fantástica ou de um drama interessante, com um mistério e/ou suspense, ao lado de pessoas especiais e, consequentemente, de uma mais especial ainda, que me faria sentir especial. Porque no fundo é só isso que procuramos, alguém que nos faça sentir únicos. Mas em um outro livro, Fazendo Meu Filme, acho que li a frase "Nenhum livro é melhor que a própria vida". O personagem diz isso para uma amiga, que adora ler, incentivando-a a aproveitar sim os livros, mas não se dedicar exclusivamente à eles, porque eles são ótimos, mas nenhum ensinamento ou experiencia adquiridos através deles poderia substituir o que se aprende apenas vivendo. Mesmo assim, ainda acho que é possível viver coisas intensas e conhecer pessoas especiais na vida real. Por isso ainda quero ter a vida como naqueles romances. São bem simples os motivos. Aqueles dias que parecem que vão durar infinitamente de tão bons ou grandes dramas dos mais diversos tipos, todos eles episódios da realidade que nos proporcionam tantas emoções quanto as palavras. Além disso, todos nós conhecemos pessoas especiais. Muitos conhecem esse tipo de gente desde os primeiros momentos, quando viemos ao mundo e damos de cara com nossos pais. Depois nós crescemos e fazemos amigos, nosso tesouros. E, eventualmente, encontramos aquilo que nos proporciona uma série de efeitos colaterais como insônia e ansiedade, todos desencadeados por hormônios específicos e que te fazem se sentir em outra dimensão. Aquilo que chamamos de amor.

Sabe, queria ser mais velha. Ter mais experiencia e um bom dinheiro guardado na poupança. Largar qualquer coisa que eu estivesse fazendo para arruma minhas malas e sair por aí, apenas vivendo. Conhecendo lugares, pessoas e sentimentos. Começo a fantasiar como seria. Pegar um carro e dirigir sem destino certo, apenas em frente. Virar noites em festas e shows descobrindo novas pessoas e tendo experiencias inéditas. Conhecer alguém no meio da viagem e acabar dirigindo com ela até Las Vegas, e casando de um jeito nada tradicional com ela, como naqueles filmes. É impossível citar tudo, porque são inúmeras as maneiras de viver. Estou exagerando um pouco, até porque existe maneiras bem mais simples, mas já que estou apenas fantasiando posso fugir um pouquinho da realidade. Escrevendo sempre posso. Lendo também. Inclusive, meu professo hoje falou uma coisa bem interessante que não vou comentar em detalhes, mas era sobre um homem que ficava aprisionado numa biblioteca. Mas ele não estava aprisionado de verdade, tinha livros que podiam leva-lo a qualquer lugar. Pelo menos estava muito mais livre do que muitos por aí presos em suas mentes fechadas. Acho que já enrolei quinhentos assuntos só neste parágrafo.

Voltando ao livro que estou lendo, assim mesmo nesse embaralhado de informações, do mesmo jeito que funciona minha mente, preciso completar falando sobre como estou me sentindo. Hoje à noite, sentei no meu cantinho de sempre para ler (o banheiro. Estranho? Não, é sempre frio e silencioso, eu o descreveria melhor como perfeito), comecei a devorar o livro, ignorando totalmente os fato da proximidade das minhas provas e minhas obrigações, e do nada cheguei a uma parte que não pude mais segurar as lágrimas. Chorei desesperadamente apenas encarando o livro e me forçando inutilmente a ler mais linhas, enquanto me perguntava se estava na pior e mais sentimental TPM da minha vida ou se apenas estava sofrendo os efeitos colaterais daquela leitura.

Em todo caso, fiz essa reflexão toda só porque precisava desabafar. E como estou na verdade falando sobre os sentimentos de uma leitora, tenho que comentar o que vou sentir quando esse livro acabar. O mesmo que acontece quando acabo todos os outros. Sentirei um vazio no peito que não pode ser preenchido a não ser por uma nova leitura, continuando o ciclo. Vou entrar numa depressão interminável, numa montanha-russa de emoções impossível de um ciclo no qual não posso escapar. Ficarei sem saber o que fazer, porque vai ser como se todo o sentido da vida tivesse acabado junto com aquela história. E a dor é pior quando o livro tem continuação, porque o sofrimento dura até ler o próximo. E quando ele demora meses para ser lançado? É realmente doloroso. Doloroso, mas gratificante. Obrigada por ter me "escutado". 

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