Crônica: Certeza

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Viver custa caro. Às vezes leva alguns sonhos, outras, sua sanidade. O destino não escolhe vítimas, e a morte apenas aponta seus companheiros. Nascer, estudar, crescer, errar, procriar, trabalhar, sofrer, amar, morrer. Não necessariamente nesta ordem, não obrigatoriamente com todos os itens. O tempo é curto e as possibilidades são poucas. Tem gente que nasce, cresce e tira a venda colocada pelo mundo. Outros deixam assim mesmo, por comodidade, porque é mais fácil viver assim. Dói menos.

O ciclo é sempre o mesmo, mas cada um segue um caminho, mesmo que o final seja igual. Alguns, talvez a maioria, vive para ser "alguém na vida". Estuda, trabalha, gasta o tempo dentro de uma sala minúscula e infeliz para acumular pedaços de papel valorizados que no fim nem são suficientes. Outros encontram sentido em festas, drogas e essas distrações. Geralmente esse tipo de gente não tem muito tempo, e o que tem, de novo, não é suficiente. Tem gente, pouca gente, que não liga muito pra nada. Quer viver sem rótulos, sem pressão, sem moldes ou essa correria toda. Mas não é uma maneira fácil de levar a vida, o mundo sufoca a gente, não tem para onde escapar. Novamente, não é, não somos suficientes. Nada é.

As pessoas querem sempre mais coisas. Mais dinheiro, mais poder, mais paz, mais amor, mais felicidade, mais tempo, mais beleza, mais rapidez, mais, mais, mais. Nunca se acham o bastante, nem acham que tem o bastante. E a vida segue assim, sempre a mesma, sufocando. Cheia de alegrias instantâneas. Todo mundo esperando por dias melhores, ou que os dias bons sejam eternos. Mas um dia a felicidade acaba, a dor também, o tempo e especialmente a tal vida. A morte ainda virá buscar todos nós. O que acontecerá depois? Ninguém sabe. Não há respostas pro passado nem pro presente, imagine pro futuro. Mas por enquanto, o fim é a única certeza que nós temos.

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