Crônica: Onde estará o menino que me fez mulher?

22:27


Alguém me perguntou sobre você hoje. E eu não soube responder. E foi uma sensação ótima. Nem me lembro da minha vida pré-você, apesar de ter cada detalhe da nossa história guardado em algum lugar da memória, e agora, eu simplesmente não sei onde você está, com quem anda passando a noite ou se continua bebendo. 

Quanto tempo se passou? Um ano? Um ano e meio? E não importava quantos dias, horas ou semanas ficávamos sem ter contato, eu sabia responder qualquer coisa que perguntassem sobre você. Agora, eu não sei nem se você continua morando no Rio de Janeiro, se ainda é contra casamentos e a favor de uma boa bebedeira. 

Eu achei que nunca ia esquecer você. Até que parei de tentar, e você simplesmente deixou de ocupar meus pensamentos, até que me perguntaram de você. E eu me lembrei de tudo, de você, de nós, da história... Nossa história. Eu senti vontade de te ligar, sabe? Ouvir sua voz mais uma única vez. Mas passou. 

Acho que é isso que chamam de superar, sentir saudade e ignorar até ela ir embora. E você contribuiu pra isso, devo dizer. Depois de tantas indas e vindas, ir embora daquele jeito, sem uma despedida, ou um aviso prévio... Sim, fez toda diferença quando o assunto foi te esquecer. Aliás, eu queria te agradecer. 

Sim, estou te agradecendo por me fazer a pessoa mais feliz do mundo, e depois me tirar essa felicidade e virar as costas para ir embora. Obrigada, você me mudou. Me ensinou a amar, e a interpretar melhor as músicas que contavam histórias. Me ensinou a ouvir novas músicas, que contavam novas histórias. Me ensinou a encobrir verdades e identificar mentiras. Me ensinou a lidar com recaídas e com tristeza extrema. Você me ensinou a confiar e transmitir confiança. Me ensinou a aprender. Ensinou a ensinar. Me ensinou a odiar. Me ensinou a desejar. 

Você me fez crescer, precoce ou tardiamente, assim mesmo, na marra. E depois que você foi embora, eu me ensinei a fazer tudo sem você. Passei a escrever para ninguém além de mim. Passei a confiar em mim mesma. A não depender de ninguém. A sorrir sem motivo, e com sinceridade. Aprendi a me amar. 

Obrigada, destruidor de corações, sua ausência me fez voltar a ser quem eu era antes de permitir sua entrada na minha vida. Talvez, não tão ingênua, não tão boazinha, não tão infantil. Você me fez mulher, antes e depois de ir embora. Me fez crescer, evoluir. Se eu posso dizer que te amei? Ah, sim, com todas as letras. Se eu ainda te amo? Sinceramente, essa eu não sei responder com total certeza. Talvez eu apenas te admire, por ter conseguido me mudar. Ou talvez eu realmente ame você. 

É, talvez eu realmente ame o menino que me fez mulher - não que isso signifique realmente algo, de maneira nenhuma. Definitivamente sinto algo, seja bom ou seja ruim, algo que nenhuma combinação das 26 letras do alfabeto consigam expressar. O agradecimento, por mais irônico que pareça, é verdadeiro. Eu realmente evoluí graças a esse seu jeito meio torto de ser. 

Quer saber? Talvez um dia a gente se esbarre por aí. Vamos ver a felicidade nos olhos um do outro, e tudo vai estar bem. E aí tudo bem. Tudo bom. Foi legal, enquanto durou. Agora, é seguir em frente, cada um no seu caminho, guardando o melhor do outro dentro do coração. 

E quando me perguntarem de você, eu vou continuar sem saber. Eu não vou fazer ideia de onde você está, com quem você anda, ou o que você bebe. E, por mim tudo bem, porque eu ainda vou me lembrar de nós. E vou me lembrar de você, feliz por não ter realmente esquecido do menino que me tornou mulher.


Postado por: Bárbara Andrade

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