Crônica: Preto e branco

13:07


É cedo, mas o céu já está claro. Tanto faz, tenho passado madrugadas encandeada com luzes coloridas e já não me importa mais a noção de dia e noite. Caminho devagar pela rua enquanto tantas outras pessoas passam por mim apressadas. Entre uma ou outra, vejo rostos bonitos, com sorrisos atraentes e olhos encantadores. Não sinto vontade de desvendar nenhum deles. Sei lá, todo mundo anda tão igual. Parece que ultimamente todo mundo descobriu uma vontade inexplicável de ser diferente e acabou ficando parecido até demais. Às vezes não sei se são as pessoas que andam cada vez mais desinteressantes ou sou eu, que a cada dia enxergo o mundo mais preto e branco. Não descarto nenhuma das opções.

São sempre as mesmas conversas, as mesmas piadas, mesmas preferências. Todas as noites sento a uma mesa qualquer com um monte de sorrisos diferentes, mas com a sensação de que passo todas as madrugadas com a mesma pessoa. Alguém sem rosto, sem sonhos próprios ou algo empolgante a dizer. Parece que todas essas pessoas foram fabricadas e vieram de um molde perfeito para serem todas semelhantes. Como bonecos da vida real, que de verdade pouco têm. Depois de me cansar, lá para o amanhecer, saio do bar e caminho pela rua, já quando as pessoas comuns correm pelas ruas apressadas para o trabalho. Vão ter um dia produtivo, ou feliz, sei lá, ou simplesmente comum. E eu ando para casa infeliz, apenas esperando o sol dar adeus outra vez, para continuar o ciclo vicioso da infelicidade em que você me deixou desde que levou todas as cores da minha vida.


Posts relacionados

0 comentários