Crônica: A garota da outra calçada

13:33


Ainda era cedo, mas a claridade já invadia a rua vazia. Fechei o portão devagar, esperando o momento certo sem querer deixar muito na cara. Eu já sabia a hora certa, aprendi a ser pontual também. De repente, o barulho de outro portão quebra o silêncio da rua. Lá vinha ela. Comecei a caminhar sem pressa pela calçada. O andar calmo, os cabelos castanhos ao vento, a voz doce cantarolando uma canção qualquer. Era praticamente o sinônimo de perfeição. Distante, inalcançável, bem no outro lado da rua. Era como se ela vivesse no paraíso, flutuando nas nuvens totalmente alheia a este mundo, e eu, afastado pelo abismo entre nós dois, vivia a realidade, porém sem estar tão consciente dela assim.

Os olhares se batiam, os caminhos coincidiam, mas as vidas nunca se cruzavam. Durante anos eu a observei. Aprendi cada detalhe sobre sua existência até onde pude desvendar. Descobrir seu nome foi como ter um dos seus maiores segredos guardado. Estava tudo bem se o que eu sabia eram apenas detalhes ou informações que muitos considerariam banais, mas se só os seus detalhes me pertenciam já era grande coisa.

Às vezes nos encontrávamos em alguma esquina, ela me dava bom-dia e seguia seu caminho como se aquilo não mudassem em nada sua vida. Realmente, não devia mudar. Mas eu ganhava o dia. Talvez os olhares que ela me jogava vez ou outra fossem sinais de interesse. Não sei, me parecia muito mais de assombro, afinal, não devia ser muito confortável ter um louco a observando incansavelmente durante tanto tempo. Ela devia me achar louco. Eu achava que ela era um anjo.

Sempre quis saber se ela já quis saber quem eu era, se sabia meu nome, se sentia algo por mim. Queria saber se ela gostaria de me desvendar do mesmo jeito que eu tentava desvendá-la. Queria sabê-la. E assim aquela paixão platônica ia sendo alimentada, ano após ano. Eu só são sabia se era a beleza e os detalhes dela que me encantavam ou era toda essa magia do mistério que andava com ela pelas ruas todas as manhã quando eu a avistava.

É claro que tudo isso seria resolvido se eu simplesmente tomasse coragem e falasse com ela. Um pouco de atitude não ia me matar. Mas eu gostava do mistério. Gostava de a observar de longe. Eu sabia que estava me apaixonando, em parte, por alguém que não existia. Uma fantasia minha que era baseada na garota mais maravilhosa que eu conhecia, porém que talvez não fosse tão perfeita assim na realidade. Sei lá, algumas pessoas perdem o encanto quando a gente conhece melhor. Não condizem com as nossas expectativas. Tive medo. Entre correr o risco e continuar só imaginando, escolhi a covardia.

Agora é tarde, ela não anda mais por essa rua e nem sei qual é o seu novo caminho. Quem sabe um dia eu a encontre em uma esquina da vida, ela me cumprimente outra vez e eu seja premiado com aquele sorriso. Quem sabe eu diga algo e quebre a barreira infinita que nos separa de uma vez. Ou não. Pode até parecer que estou só fugindo da realidade, talvez seja isso, mas alguns amores foram feitos para permanecerem platônicos mesmo. E ela foi o meu.

Heyy. Eu escrevi o texto inspirada no livro Seis Coisas Impossíveis, essa semana tem resenha \o/ Além disso, temos alguns outros planos para o blog no mês que vem então aguardem novidades. E, se alguém aqui lê minha fanfic no Anime Spirit, Guardado a Sete Chaves, saiba que eu não estou atualizando porque desde que começaram as aulas (há duas semanas) eu só faço estudar e dormir. Mais dormir do que estudar, mas enfim. É que na verdade as aulas já tinha começado antes, mas como eu estava esperando o resultado do IF... Não passei, tô atrasada, cheia de coisa pra estudar, na merda. Parece que depois do dia 06 minha vida começou a descer uma ladeira infinita e não digo isso só porque não passei na prova que eu sempre quis passar, é por um zaguilhão de outros motivos (e talvez um pouco de drama também). Voltarei a escrever depois do carnaval #marçopromete

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