Crônica: Quando a saudade é companhia

22:32


Um ponto de felicidade ilumina o passado. É o calor que aquece as recordações vivas de uma época e a alegria que há muito morreram. Essas lembranças me abraçam, me acolhem, porém não preenchem o vácuo. O vácuo que a saudade deixa na gente. Cara, como eu sinto sua falta. Como eu queria estar com você. Como eu te queria. É o grito sufocado do meu coração. Não há nada mais sincero.

Eu quero de volta o tempo em que os dias eram serenos e cheios do seu sorriso. Sua voz era melodia e as nossas vidas dançavam em harmonia, pairando em algum lugar entre o céu e a terra. Aqueles problemas agora parecem tão menores. Sabe, até o céu aparenta ser mais azul nas memórias.
Nunca compreendi tão bem o que é estar sozinha em meio a uma multidão. Nunca permiti, se é que precisa de permissão, que meus pensamentos vagassem tanto para um único ponto: você. Nunca imaginei que fosse tão difícil reprimir tantas emoções. Até porque, depois de um tempo, elas se acumulam e transbordam todas de uma vez.

Não, não há ninguém mais com quem eu queira compartilhar a minha dor além de você. E se você estivesse aqui ela nem existiria. A vida não estaria tropeçando nesse ritmo desengonçado. Além disso, o sofrimento é meu, próprio. Não meu como você era, mas único e particular como o sentimento que está guardado em mim. Porque eu te deixei escapar e você se foi, só que o que eu sinto ainda me acompanha, sempre. E, nesses dias sem luz, sem graça, a saudade é minha única companhia nessa tão vasta solidão...

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