O nome dela era Luana: Trouxe pão pro café-da-manhã, queridinho.

23:12


Sabe, o melhor do fim de semana, na minha opinião, é ter a liberdade de dormir até tarde. Todo mundo que eu conheço aproveita o sábado pra dormir até não conseguir mais. É isso que as pessoas fazem no sábado: dormem até tarde. A menos que sejam vizinhas da Luana, o que nesse dia infeliz (porém em outros, é considerado um fato muito feliz) é o meu caso. Eu nem mesmo tinha ideia de que horas eram quando ela começou a tocar a campainha. Em outro momento, ser acordado por Luana tocando a campainha da minha casa louca e freneticamente, com certeza teria me animado mais do que qualquer outra coisa. Mas era sábado de manhã, e eu queria ter como silenciar o mundo sem me levantar da cama. 
 Depois de longos torturantes 5 minutos, ela desistiu. Amém. Ah, eu amo a Lu, mas às vezes a falta de bom senso dela era um pouco incômoda. Sabe, acordar alguém sábado de manhã, ligar na casa da sua mãe 22h perguntando onde eu estava, pedir uma carona no meio da madrugada pra jogar ovos na casa de alguém que a irritou, do outro lado da cidade... Como todo bobo apaixonado, eu vou sem hesitar. Mas de vez em quando cansa, e as minhas pálpebras estão tão pesadas que... 
 - Porra, JP, não ouviu a campainha tocando? - acordei com ela gritando depois de ter entrado no meu quarto pela janela. 
 - Achei que tinha entendido o recado quando ignorei o seu ataque à minha doce campainha. Que cheiro é esse?
 - Pão. Trouxe pro café-da-manhã, queridinho.
 - Que horas são?
 - 7h30. - ela disse como se fosse super normal invadir o quarto do vizinho às 7h30 de um sábado!
 - Porra, Lu. Hoje é sábado...
 - Sim, sábado, depois da sexta, antes do domingo. E daí?
 - E daí que é dia de dormir até tarde?
 - Quem disse?
 - Eu estou dizendo!
 - Ah, então não é relevante. 
 - Você tem o dom de me tirar do sério... 
 - Deixa de ser ingrato, eu até trouxe pão pra você. 
 - Bondade da sua parte - eu disse, sem saber se me irritava ou me derretia com essa falsa inocência dela
 - Eu sei, eu sei... Sou um doce de pessoa. Aliás, temos uma programação a cumprir hoje. Coma logo e se arrume para começarmos o mais cedo possível.
 - Ah, não... O que é dessa vez? 
 - Ah, nada demais. Só queria ir à praia com você hoje. 
 - Certo, sem problemas - delirando só de imaginar ela naquele biquíni preto que se encaixa direitinho no corpo dela...
 - Pare de me imaginar de biquíni e vá se ajeitar, seu tarado.
 - Como você...? 
 - MEU DEUS, VOCÊ REALMENTE ESTAVA ME IMAGINANDO DE BIQUÍNI? Você é absurdamente tarado, JP. - ela disse, rindo sozinha.
 Eu me senti ficar vermelho, e finalmente parei para reparar em como ela estava linda hoje. O cabelo negro estava preso em um rabo de cavalo frouxo. O batom vermelho estava lá, sempre marcando presença. Fora ele, maquiagem nenhuma. Ela estava com um short jeans que mostrava suas pernas o suficiente pra enlouquecer qualquer cara. Uma blusa branca de alcinha, que valorizava o colo dela de uma maneira quase inacreditável. All star vermelho. Ela parecia uma adolescente de 16 anos, mas ao mesmo tempo, para mim parecia uma deusa. Foi quando eu me lembrei que estava descabelado, de cueca e ainda não tinha escovado os dentes.
 - Hm... Lu, me espera lá embaixo, na cozinha? Desço já.
 - Posso esperar aqui? Gosto do seu quarto. 
 - Hum... tudo bem. 
Eu realmente não queria sair de cueca da cama na frente dela, mas ela já me viu em situações bem mais críticas, então simplesmente me levantei e peguei minhas roupas, tentando não parecer constrangido de jeito nenhum. Já na porta do quarto ela me chamou.
 - JP?
 - Hm?
 - Cê ta com uma bundinha irada.
 Lá se vai meu plano de não ficar constrangido. Eu senti que estava vermelho, então murmurei um "an-hã" e saí do quarto. Ela sabe como mexer comigo. Quando voltei, ela estava deitada de bruços na minha cama. Que mulher... A observei por um momento. Ela era linda, em todos os aspectos. E eu, era absolutamente apaixonado. Conhecia ela como mal conhecia a mim mesmo. A rotina, os gostos, as roupas... Eu passaria dias observando cada detalhe dela, se ela não tivesse me tirado do meu transe com um "pare de olhar pra minha bunda e vem pra cá".
Sentei na cama ao lado dela, e ela me perguntou, sem me olhar:
 - Tem algo pra fazer hoje a noite?
 Esse papinho de "só queria ir à praia" tava bom demais pra ser verdade.
 - Não. O que quer?
 - Carona. 
 - Pra onde?
 - Uma festa. Comprei a entrada quando fui buscar seu pão.
 - Com quem vai pra essa festa? 
 - Uns amigos.
 - Amigos homens? Vai ter bebida? Que horas você volta?
 - Pare de agir como uma mãe, só perguntei se podia me dar carona. - resmungou, finalmente se virando para me olhar - Você se preocupa demais, JP.
 "Só com você", pensei. 
 - É de família. Então, a que horas vai ser?
 - 22h.
 - Vai beber?
 - JP...
 - Lu, você sabe como fica quando bebe. Admita, você dá motivos de sobra para preocupar qualquer um.
 - É por diversão. 
 - Tudo bem, não é da minha conta. 
 - Você me leva? 
 - Levo, Lu.
 - Brigada.
 - De nada. 
*silêncio*
 - Lu?
 - Hm?
 - Vai voltar sozinha ou vou precisar dormir com as janelas fechadas e fones de ouvido?
 - Eu não faço tanto barulho!
 - Você não, quem faz são os caras que você leva pra casa.
 - Você também não ficou exatamente em silêncio naquela noite. 
 A lembrança me pegou de jeito, e a minha vontade de beijar aqueles lábios finos pintados de vermelho apenas aumentou. 
 - Não me lembro de ter feito barulho (mentira; essa garota tem um dom, qualquer cara fica no chinelo com ela), mas não vem ao caso, e você não respondeu minha pergunta.
 - Eu lembro muito bem, se quer saber (e eu realmente queria). E, quanto a sua pergunta, eu não sei a resposta. Mando um torpedo avisando quando estiver vindo pra casa. 
 - Engraçadinha. 
 Ela me tem nas mãos de um jeito que eu nem sabia que era possível.

 E o nome dela era Luana.

PS.: Pois é, galera! Finalmente consegui voltar com o projeto Luana! E agora vocês também descobriram o nome do jovem palerma apaixonado. Sei que pulei muitas etapas do relacionamento deles desde a primeira vez que escrevi sobre, mas vai funcionar desse jeito mesmo. Algumas coisas serão mistério, outras serão apenas detalhes e assim vamos seguindo... Pois é, estamos de volta com força total!




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