Crônica: Deixei pra lá o alemão e corri pro teu sorriso bobo

22:52


Eu quis desistir. Quis mesmo. Quis respirar fundo, te ligar e dizer que não queria mais te ver e então desligar na sua cara antes que dissesse qualquer coisa. Quais te escrever uma carta de onze páginas, esvaziando o sentimento transbordado em meu peito e mandar pelos correios, para que tivesse tempo de fugir para Minas ou Salvador enquanto a carta não chegava. Quis enviar pro teu apartamento uma rosa vermelha com um cartão dizendo "fugi com um alemão de barba ruiva, sinto muito". Quis achar um jeito de dizer que por cada defeito, eu e você não tinha mais como deixar desse jeito.

Só não sabia exatamente como, porque apesar de estar cansada das nossas crises semanais, eu sentia uma dor no peito só de pensar em não ser mais a destinatária desse teu sorriso largo que leva qualquer pessoa ao profundo delírio.

Eu, que nem sequer sonhava em merecer nada disso de amar agora tenho tanto a ponto de me dar ao luxo de pensar em desistir, acabar, deixar pra lá. Já estava tudo pronto, ali em cima da mesa. O papel de carta, o dinheiro para as flores, o telefone e as malas vazias prontas para serem arrumadas.

Tudo preparado para o grande adeus quando a campainha tocou. Você, com uma caixa do meu chocolate favorito na mão, um sorriso bobo no rosto usando aquele jeans surrado e aquela blusa branca que eu amo, dizendo que estava "bem ali", do outro lado da cidade, e decidiu me ver, me fazendo perceber que nem a mais pensada estratégia de fuga poderia fazer meu coração desistir de nós dois.

 

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