Crônica: Menino-sorvete

14:00


 Hoje tive uma crise. Senti sua falta por horas e horas, reli nosso passado em forma de textos, chorei por como o fim foi docilmente trágico digitei e apaguei três milhões de vezes o número do teu celular eternamente decorado. Já fez um ano sem você, sem nenhum tipo de notícia, uma mensagem, um tweet, um recado, um cartão-postal... Nada. Mas, tudo bem. Me acostumei depois de um tempo. Eu tô bem, sabe? Conheci novas pessoas, fui a novos lugares, na maior parte do tempo, não penso em você. As coisas estão maravilhosas, ou quase isso. Aquele carinha do começo do ano passado pediu pra ficar comigo de novo no finalzinho do ano. Em poucos dias completamos alguns bons meses de namoro e finalmente consegui atribuir o nome “amor” a outra pessoa que não fosse você – o que me traz certa culpa de ainda assim estar aqui te escrevendo isso, mas acho que ele até entenderia que isso não muda nada entre mim e ele, e provavelmente não mudará entre mim e você. Minhas notas tão lá no alto, e olha que aqui a média é mais alta. Aquela viagem pro exterior sobre a qual eu costumava sonhar alto durante nossas conversas provavelmente sairá nas férias de fim de ano. Tudo no seu devido lugar. Menos a minha cabeça, claro, ela tá cada dia mais ferrada, o que causa umas mudanças repentinas de humor e comportamento que nem eu aguento lidar comigo. Lembra daquela época em que você me ajudou com isso? Bom, não chega nem perto de como está agora. É, complicado. Mas é outra coisa com a qual um estalo e comecei a pensar em você, em como você estava, em como conseguir notícias tuas de um modo não direto. Aliás, quem conversa comigo às vezes é o seu irmão. Ele tá crescendo, toda vez que fala comigo parece um pouco mais maduro. Mas eu nunca pergunto de você pra ele, não me parece certo por algum motivo.  Como é que você está? Continua sendo o mais baixo de todos? Como estão as coisas com a Ana? Você conseguiu trocar de escola e transferir o inglês pra aquele outro cursinho? Será que ainda posso me dar ao luxo de me preocupar com esse tipo de coisa? Parou de discutir com seus pais? Eles são tão bons contigo! Sinto sua falta, você deveria cumprir sua promessa de ser pra sempre meu melhor amigo. Só acho, assim, sei lá. Meu número é o mesmo, todas as url’s permanecem como antes, e o endereço também. Manda uma carta, ou uma mensagem no facebook, o único lugar de onde você não me excluiu ou parou de seguir – só bloqueou o bate-papo. Se quiser, apareça. Por mais tolo que seja, eu continuo aqui. As coisas não vão voltar a ser como antes, e eu nem quero isso – não deu certo naquele tempo, porque daria agora? Mas eu ainda estou aqui, e se você quiser, a gente faz diferente. Novo tempo, nova história. Ou a gente pode deixar do jeito que está e ficar só com as lembranças. Confesso que por mim está ótimo também e que essas crises são raríssimas. Fica a seu critério. Só queria que soubesse que você me fez muito bem e devo muito do que eu sou a você. Não me arrependo de nada, de verdade. Se um dia precisar de mim, estarei aqui sempre, e talvez, até mais do que isso. Apenas obrigada por tudo. Espero que, onde quer que esteja, esteja feliz. 



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