Algo sobre o futuro

21:25


O post de hoje vai ser sobre algo mais pessoal. Ah, eu sei, o blog É pessoal. A gente expõe um monte de sentimentos aqui através dos textos que geralmente não demonstraria em outras situações, então é bastante íntimo. Até mesmo aqueles textos em que o sentimento não vem de nós, mas do eu-lírico, sempre tem um pedaço da gente. Ok, sem enroladas. Vou direto ao ponto.

Eu estive pensando sobre aquela pergunta que sempre nos fazem desde bem pequenos: O que você vai ser quando crescer? Na verdade, eu costumo pensar no meu futuro e me deparo com essa pergunta constantemente. Eu até tenho a resposta, mas ela nunca permanece a mesma por mais de três semanas. Alguém se identifica? Aposto que sim. É um drama que a maioria das pessoas vive no período de escola. Tem gente que só se decide em cima da hora, e às vezes nem faz a escolha certa. Tudo bem, nunca é tarde para tentar novamente, mas é claro que a gente quer acertar de primeira. O problema é que não é tão fácil para a maioria definir o que quer fazer pelo resto da vida. Ou o que supostamente vai fazer pelo resto da vida, porque não há garantias de que não ocorrerão mudanças. 
Levando em consideração que sim você fará isso pelo resto da sua vida, vários pontos precisam ser analisados na hora da escolha de uma profissão. Porém, basicamente dois quesitos são pensados: se você gosta de fazer aquilo e se dá dinheiro. É ótimo quando a resposta para as duas perguntas é positiva, a história complica quando as respostas são diferentes. Mesmo assim, se você decide fazer algo porque gosta e sabe que trará um bom retorno financeiro, não há garantia nenhuma de que vai dar tudo certo. Quando dá dinheiro mas você não sente prazer em trabalhar com isso, ou é o que você ama fazer mas o salário não é bom, o problema se torna grande e as opiniões divergem. Uns dizem que vale a pena fazer o que você gosta, outros defendem o conforto e a estabilidade financeira. E esse debate sufoca a gente, que continua sem saber o que quer.

Eu, por exemplo, amo escrever. Mas todo mundo sabe que ser escritor ou blogueiro raramente dá dinheiro, especialmente aqui no Brasil. Se eu fizesse Letras ia acabar numa sala de aula, provavelmente ainda ganhando muito mal (uma verdade ruim). Por outro lado, eu faço curso técnico em Edificações no IFRN (junto com o ensino médio), curso que escolhi porque antes acreditava que o que eu queria fazer era Arquitetura. Depois pensei em Engenharia Civil. Agora não sei se quero algum desses dois. Seria mais lógico e traria mais dinheiro se eu fizesse Enem para essa área, especialmente se fosse Engenharia. Mas não sei se seria a escolha certa. Eu até gosto de Arquitetura, mesmo, mas decidir que quero supostamente trabalhar com isso durante uma vida inteira é uma decisão muito séria a tomar, e eu ainda me sinto muito insegura quanto a isso.

Uns diriam "Ah, faça Letras! Tem que fazer o que gosta porque dinheiro não importa.". Não estou certa de que seria a melhor escolha por duas razões. 1. Às vezes o que a gente gosta de fazer é só um hobby e não daria certo virar profissão. Tem atividades que dão prazer, mas são apenas passatempos e não rolariam como algo mais. Talvez até perdessem a graça. Por isso é importante pensar muito sobre isso "aguentaria estudar e me aprofundar nesse assunto ou apenas gosto de aproveitar assim o meu tempo livre?". É um erro comum cometido pelas pessoas, então reflita sobre isso. 2. Dinheiro é importante, sim! Ah, não me venha com esse papo furado de que não importa, porque importa e muito. Todo mundo precisa de um meio para se sustentar, não dá para pagar as contas apenas com sonhos. Estive lendo um texto no Glück, o qual me deu inspiração para escrever esse ~textinho~, que falava justamente sobre a importância do dinheiro. Dizia que ele é necessário e te trás felicidade se for suficiente para viver uma vida confortável. Ninguém quer a miséria. Porém ter rios de dinheiro, muito além do que você precisa, não eleva nem te dá um nível de alegria muito maior do que o de quem tem apenas o bastante para viver bem. Então, é possível que se você escolher uma profissão com péssima remuneração, além de (provavelmente) trabalhar loucamente, você vai viver sempre na merda. É claro que há exceções, mas aqui eu estou falando da maioria.

Para os que sugeririam Engenharia por ser uma opção que dá mais dinheiro que as outras citadas, eu pergunto: Qual o sentido de ser rico? Se eu escolhesse esse curso ia ter que ralar muito, como em qualquer outro, e talvez fosse fazendo algo que eu não curtisse muito. Depois de um tempo quem sabe eu acumulasse bastante dinheiro, trabalhando muito, adiando tudo o que eu gostaria de fazer com aquela velha desculpa do tempo. A conta bancaria só melhorando - para nada, só para acumular o que tudo mundo quer acumular mesmo, dinheiro. Onde fica a felicidade nisso? A situação que eu descrevi é o que eu observo acontecendo com um monte de gente por aí. É tão comum. Batalhar por dinheiro, comprar coisas inúteis, ter muito mais do que precisa. Mas não fazer nada que dê prazer. Dinheiro é o ponto sim, para se sustentar de maneira confortável, mas nada além disso vale a pena. Não para mim. Você pode até não gostar muito do seu trabalho, mas se guardar tempo para fazer algo que goste, ainda sim dá para ser feliz. Não vejo necessidade de se matar para ganhar mais e mais dinheiro, ter mais e mais produtos, ser mais e mais que os outros. Ah, mas tem gente que é feliz assim né. Não vou julgar ninguém aqui.

Vamos supor ainda outra situação. Eu escolho uma profissão com um salário bom e ainda para fazer aquilo que eu amo. Garantia de sucesso? Não. Vai que no lugar que eu moro as oportunidades de trabalho nesse mercado não sejam muito boas. Pode rolar a história do hobby que falei lá em cima, você pensa que pode trabalhar com aquela atividade, mas depois percebe que na verdade só curtia fazer no tempo livre. Você pode descobrir que não era aquilo que você realmente queria. Ou que não é tão bom nisso. Pode descobrir outros gostos e talentos em si. Mas ainda é possível dar tudo certo, é claro, não vamos ser tão pessimistas.

E se der tudo errado? Quer dizer, e se você resolver fazer outra coisa na metade da vida? Não faz mal recomeçar, nunca é tarde para buscar a felicidade. É bom escolher logo de cara e descobrir que sim, era aquele o trabalho que você queria! Mas se não rolar, tenta de novo. Tem gente até que consegue o emprego dos sonhos, do jeitinho que queria, mas larga tudo para buscar outros caminhos, como foi o caso da Fernanda Nêute. Não é porque a gente escolhe fazer aquilo para a vida toda que a gente VAI fazer pela vida toda. O amanhã é incerto.

Felizmente, hoje em dia como toda a preocupação sobre o futuro e a infinidade de informações na internet, há muitos recursos para nos ajudar a tomar essa decisão. O que vou ser quando crescer? Espero que feliz. É muita pressão. Uma adolescente como eu que se perde na própria confusão (lê-se dramas adolescentes) e que não sabe nem o que vai fazer amanhã parece não ter a menor condição de decidir o que fazer pela vida inteira né? Mas a gente tem, ou pelo menos precisa ter, porque a medida que o tempo vai passando se torna mais importante. E os pontos dos quais eu falei aqui precisam ser considerados. Não só eles, mas muitos outros fatores que influenciam na decisão. Bom, eu ainda tenho bastante tempo pela frente. O ensino médio inteiro, na verdade, não sei nem por que me preocupo com essa história agora. Mas eu meio que desabafei aqui, e saiu um textinho que de "inho" não tem nada.

Para quem me entende eu só desejo sorte e consciência sobre suas escolhas. Pés no chão. Não dá para fingir que o mundo não grita nos nossos ouvidos todos os dias que precisamos buscar ser alguém na vida. É o objetivo desse "jogo" na nossa sociedade, não é? Então, me diz, o que você quer fazer quando crescer? 


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