Crônica: Entre as palavras, liberdade

14:29


Eu e essa mania de pôr toda bobagem no papel. O que se pensa, o que se sente, o que se quer dizer mas não pode. A gente costuma conseguir expressar isso melhor com um lápis na mão. Escrevo de tudo e descrevo minha alma porque muitas vezes é o meu único meio de colocar para fora o que eu prendo lá no fundo. Transformo em palavras a bagunça que há em mim. Eu vou tentando organizar as ideias a medida que os períodos vão fluindo, mas acabo tropeçando ou ficando presa numa vírgula ou outra. Nem sempre é fácil colocar no papel o que está escrito dentro de você, tanto o que você mesmo escreveu quanto aquilo que te deixaram gravado. As histórias que passaram, as que um dia vão acontecer e também as que serão para sempre apenas devaneios. As sensações, os sentimentos, as opiniões, as lembranças, os ideais. Alguns desses voam e se libertam com mais facilidade que outros. Se minha mente não colabora, não há quem faça ela se abrir.

Ainda sim, quanto mais eu escrevo, menos gosto do resultado. Minha própria crítica é geralmente a mais severa. É que eu sempre acho um vazio esquisito entre os meus parágrafos. Não importa o quanto eu me esforce, em todos os textos me parece que tem algo faltando. Às vezes penso que é falta de talento, outras penso que é apenas falta de organização mesmo. É como se as frases estivessem esperando para serem completadas, e o sentimento estivesse pela metade. Eu procuro em mim uma maneira de preencher esse vazio nas palavras, mas acho que eu também sou em parte vazia de algo, então preciso antes de tudo descobrir como me preencher. Mas e esse meu vazio, é falta de quê? Se desconheço até os mistérios mais simples dessa história de escrever, imagina se eu sei o que há escondido pelos meus cantos.

Preciso em desvendar, descobrir o que eu tenho escondido que sempre esqueço de colocar nos meus textos também. Buscar a inspiração que às vezes eu perco no meio de uma frase, sem querer. Finalmente aprender com meus erros bobos e tentar não repeti-los, e isso vale para a vida também. Se bem que, se eu não desse tão errado, talvez nem tivesse sobre o que escrever. Devo não tentar preencher minhas palavras com qualquer besteira apenas para tentar disfarçar o vazio de maneira fácil, mas sim buscar aperfeiçoar de vez esses detalhes. Sim, eu sei, o combustível de tudo é tempo e dedicação, afinal, se as coisas viessem assim do acaso, eu sentava na caçada e via a vida passar até chegar minha vez de ter um pouco de sorte. Mas eu continuo escrevendo, assim sem me preocupar com nada, apenas para eu me libertar e não acabar me sufocando na minha própria confusão. 

Pois é, quando uma pessoa tá sem criatividade para escrever, sobre o que ela fala? A própria escrita ~ mas não faz mal, até que às vezes não sai tão ruim. 

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