Crônica: Finalmente numa boa

16:08



Então você havia voltado. No fim, você continuava no Rio, com o sotaque cada vez mais carregado, Ainda bebia e ia à festas ruins para se distrair. Estava mais velho e, ainda assim, por dentro mais criança. Acabei descobrindo a resposta pra dolorosa pergunta de onde e como você estava, o que andava fazendo e o que sonhava em fazer. 

Engraçado como a vida funciona, passei tanto tempo com medo de descobrir tais respostas, e agora que me foram dadas, vieram de forma tão natural que é como se nunca tivesse deixado de saber. Foi tudo tão... Natural. Nós somos tão naturais que me assusta. Bom, talvez assustar não seja a palavra, talvez seja "surpreende". Ou assustar mesmo. 

Tanto tempo passou, e olha como as coisas estão agora. Bastaram poucas horas e tudo estava como sempre havia sido. Também "não muda nada" nas nossas vidas, nada além do vazio preenchido. Eu continuo com aquele cara maravilhoso que faz esforços cada vez maiores para me ver feliz e você, com as suas baladinhas e as poucas distrações que nelas você encontra. A diferença é só que agora posso te pedir socorros outra vez, enquanto você pode voltar a me contar sobre suas aventuras noturnas e os dramas em casa. 

Seu irmão ainda fala comigo com frequência e vai ser ótimo poder dizer que finalmente estamos numa boa. E é ótimo finalmente estar numa boa. Bem. Tendo notícias. E quando me perguntarem de você outra vez, terei respostas. Respostas reais, coisas que você me contou. Senti sua falta mais que sabia. A lacuna foi preenchida outra vez. Inacreditavelmente bom te ter de volta. Ter de volta o menino que me ajudou a me tornar uma mulher.


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