Crônica: Enfermidade da alma

13:44


A incerteza me consome. Não importa por quantas horas eu desgaste a minha mente e a sanidade me perguntando o que parece ser impossível de saber. Quanto mais eu me esforço para te compreender, mais complexo me parece. Não posso simplesmente ler teus pensamentos. É agoniante não poder dizer se estou fazendo as escolhas certas. Tenho medo de estar depositando todas as minhas expectativas em algum lugar às escuras, para depois descobrir que era tudo um vazio. Olha-me nos olhos e diz que é recíproco, por favor. Ou simplesmente diga que não é nada disso que eu espero. Qualquer certeza desagradável é melhor que a dúvida que me consome.

Prefiro que fale que me detesta, aceito até algumas palavras mais cruéis. Despeje em mim todos os meus erros e me mostre aonde passamos a nos desencontrar. Sofrer por uma verdade decepcionante é duro, porém basta um pouco de vontade e paciência que o tempo acaba levando embora as mágoas e nos libertando das memórias ruins. Já a dúvida é uma fome saciada apenas com respostas concretas, e que costuma alimentar a dor com possibilidades às vezes até mais frustrantes que a realidade, portanto acaba sendo pior que qualquer certeza.

Por outro lado, acabo sempre me perguntando se o destino não está colaborando comigo, enfim. Por vezes me pego devaneando com um final feliz para nós dois, sem saber se é uma ilusão ou não acreditar que, em seu devido tempo, tudo acabará bem. Temo que eu esteja errada em considerar o pior, e depois me arrependa por não ter tentado o suficiente. Afinal, o cruel mundo real às vezes nos permite alguns finais felizes.

Ah, por favor, tire a venda dos meus olhos e finalmente me dê respostas. Teu olhar transborda incerteza e o meu é embaçado pelas lágrimas de frustração. Sinto-me sufocada pela agonia de não saber por qual caminho dar o próximo passo. Diga-me se virá comigo. A dúvida é a minha doença e a cura está nas tuas mãos. 


Postado por: Ana Letícia

Posts relacionados

0 comentários