Pequenos prazeres da vida

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O conceito de felicidade para grande parte das pessoas baseia-se em grandes acontecimentos na vida, mesmo que eles sejam tão raros e acabem durando tão pouco. A busca pela felicidade então se torna a ansiedade para que que esses momentos especiais ocorram, e a luta (ou não) para fazê-los acontecer. Alguns trabalham em cima disso, outros simplesmente esperam que aconteçam. 

Os que correm atrás geralmente alcançam, mas nem sempre tudo sai como esperado, porque às vezes as pessoas apenas têm um objetivo criado por algum motivo qualquer mas na verdade não era bem aquilo que as tornaria felizes. E quando finalmente chegam lá, acaba. Elas conseguem o que querem e partem para outra meta, sem perceber que o verdadeiro prazer está no caminho. Enquanto isso, existe aquele tipo de gente que senta e espera a vida acontecer. Eles não sabem como é batalhar por algo que quer, nem o prazer de enfim concluir um objetivo. Às vezes eles conseguem realizar seu desejo, mas não terá a mesma intensidade. Mas na maior parte do tempo eles são apenas frustrados. 

Apesar dos Grandes Acontecimentos trazerem alegria, ela não é duradoura. Na verdade, nenhuma alegria é duradoura, porque a felicidade é um processo. E esse processo é feito de pequenas e grandes alegrias. Costumamos lembrar das Grandes, mas são as Pequenas que fazem a diferença todos os dias. 

Aqueles cinco minutinhos a mais todas as manhã na cama, ir ao parque da cidade e respirar o ar (quase) puro entre as árvores, receber elogios por algo que você trabalhou duro para fazer, ver alguém amado dando gargalhadas. São detalhes que às vezes passam despercebidos, mas que nos garante uma dose diária de prazer.

Fugir da monotonia também dá alegria. Acontecimentos inesperados (do bem) sempre dão bastante prazer. Eles dão cor ao preto e branco que se torna a vida diária. Como não ficar feliz ao, por exemplo, encontrar um velho amigo na rua enquanto faz o caminho de sempre?

Apesar disso, os Grandes Momentos continuam sendo importantes. Se formar em um curso que você deu duro por anos estudando, por exemplo, é realmente gratificante. O ponto é que a parte mais legal é o que você adquiriu no caminho. Os amigos que conquistou, as experiências que teve, o conhecimento que adquiriu. Por isso, o ponto de chegada é maravilhoso, mas a estrada também pode ser incrível. 

As pessoas andam pela rua e não prestam atenção ao que tem ao seu redor. Quando você passa a se ligar nisso, percebe aquele jardim bonito naquela rua sem graça por onde você passa todos os dias ou um grafith legal se destacando entre aqueles prédios cinzas da cidade. E a gente encontra jardins bonitos andando pela vida também. 

Tem mais: não acredite na felicidade forçada e duradoura exibida nas redes sociais. Hoje em dia sentimos a necessidade de expor o quanto estamos bem, fazemos viagens fantásticas e temos coisas legais. E por trás dessa máscara às vezes só existe alguém frustrado. Existe muita diferença entre compartilhar felicidade (que é ótimo) e exibir. Mostrar para os conhecidos o quanto sua vida é melhor que a deles não traz felicidade, assim com basear seus próprios sonhos nas realizações de outras pessoas não é saudável e nem a melhor escolha pra ninguém. 

Felicidade é saber apreciar o que há de mais belo na vida, seja os detalhes ou os momentos significativos. É também ter momentos ruins, saber lidar com eles e tirar lição disso depois. E, acima de tudo, é singular. Porque cada um constrói do seu jeito e tem sua maneira de ser feliz. E não cabe a ninguém julgar.

Postado por: Ana Letícia

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