Dia Mundial da Filosofia (22/11)

12:47

Foto da página no Facebook da Nova Acrópole 

Não sei se alguém aqui sabe, mas a Bárbara faz um curso de filosofia na Nova Acrópole daqui de Natal. Ela sempre tentou me fazer ir a alguma reunião ou até mesmo assistir às aulas, mas eu sempre arranjava uma desculpinha para não ir. Porém, eu realmente tinha vontade de conhecer o curso, só ficava colocando dificuldade. Então aceitei ir ao evento do Dia Mundial da Filosofia, 22 de novembro, e é sobre ele que eu vou falar nesse post :D

Cheguei lá meio desorientada porque, bom, eu sou assim por natureza. Mas era todo mundo muito educado, legal, etc. Consegui me encontrar por lá. A primeira coisa que vi foi a exposição sobre o mito da caverna de Platão. Vou tentar explicá-lo enquanto conto como foi minha experiência, baseando-me mais na explicação que ouvi lá, porque, na verdade, toda vez que ouço falar do Mito, ele é contado de uma forma diferente.

A primeira parte era numa sala escura e quente. Um homem explicou que, segundo o Mito, um grupo de pessoas vivia dentro de uma caverna observando sombras projetadas na parede, as quais elas acreditavam ser toda a realidade existente. Porém, uma dessas pessoas ficou inquieta e desviou o olhar da parede, descobrindo que a realidade ia muito além dela. A primeira sala, escura e quente, era chamada de Sala da Ignorância.

Foto da página no Facebook da Nova Acrópole 

Nós fomos para outro espaço, com ventilação e já iluminado, onde provamos texturas e odores. No Mito, a pessoa tinha chegado a parte da caverna em que havia a fogueira a partir da qual as sombras eram produzidas. E nesse lugar ela descobriu muitas coisas, e percorreu um difícil caminho até a próxima etapa. A moça que estava explicando disse que essa era a Sala do Conhecimento, a qual poderia ser tanto muito boa quanto muito ruim. Boa porque conhecimento é maravilhoso, e ruim porque ele é atrativo demais, e algumas pessoas acabam nunca saindo dela. Nunca param de buscar mais e mais coisas novas, e armazenas informações sem se perguntar qual a real utilidade daquilo para ela quanto ser humano. Mas isso um computador já pode fazer, não é? No fim pudemos escolher entre ficar ali lendo ou pegar uma balinha, sair e continuar ouvindo as explicações. Todo mundo ficou com a segunda opção. 

Na sala seguinte, nós assistimos a um vídeo que falava sobre os valores que podemos extrair do conhecimento que adquirimos. Essa sala, a Sala da Sabedoria, representava no Mito o mundo fora da caverna, que a pessoa descobriu depois que percorreu um longo caminho. A princípio ela ficou cega com tanta luz, mas depois pode admirar como tudo é realmente lindo. Depois, ela voltou para chamar os companheiros na caverna. Alguns aceitaram sair de lá, mas outros se enfureceram porque não aceitavam que a ideia de que tudo se resumia às figuras projetadas na parede da caverna fosse mentira. 

Quando saí de lá (depois de tropeçar na escada e quase cair de cara no chão) encontrei a mãe da Babi e fomos ver a palestra. No começo e no final da palestras haviam apresentações artísticas, tanto com música instrumental quanto com um coral, muito bons inclusive. O tema abordado esse ano era a educação, então o professor começou falando sobre o seu conceito. Vou tentar resumir bastante aqui, mas espero que dê para entender. Ele disse que educação era a transmissão do que a sociedade considerava importante, ou seja, a educação está baseada nos valores da nossa sociedade. E isso é assustador, porque a gente sabe que nossos valores estão totalmente bagunçados hoje em dia. Ele disse que nós queremos que nossos filhos aprendam o que é certo e sejam felizes, mas o que nós consideramos importante de verdade é a sobrevivência a qualquer custo, e nem sempre sobreviver significa viver com valores. Então ele questiona se tudo que está sendo ensinado hoje nas escolas está sendo voltado para a formação de seres humanos, que é o que nós somos. E, na verdade, não está. 

Ele também falou sobre a educação na Grécia Antiga, porque ela realmente era voltada para a formação dos humanos como humanos. Ele contou sobre como os Espartanos viviam e eram educados para priorizarem seu povo, ou seja, a coletividade. E lembrou de como nós temos uma ideia individualista hoje em dia, comparando-nos a células. Elas trabalham unidas pelo corpo e recebem dele tudo que precisam. Mas quando uma célula começa a trabalhar individualmente só para se favorecer, ela acaba prejudicando todo o resto. Essas são chamadas de câncer, e nós já sabemos o resto da história.

Eu e Babi c: 

Não pude assisti a outra palestra, mas deve ter sido bem legal também. Achei maravilhosa essa experiência e até minha mãe se arrependeu de não ter ido assistir. Não sei se consegui resumir direito tudo que aprendi, se vocês entenderam, nem se convenci alguém a ter interesse pelo assunto, mas espero que sim. E queria só agradecer a Babi por ter me convidado. Pode me chamar outras vezes que eu juro que não vou ficar enrolando, haha :D

Ah, e para quem se interessou de verdade pelo curso, acesse o site e confira os programas que eles oferecem.

Postado por: Ana Letícia

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