Pequenas Confissões: Ligações perdidas

15:55


Acordo, está uma manhã fria, manhãs frias me lembram da Sophia, me recordo de como ela gostava de debaixo das cobertas. Odeio me referir a ela no passado, é como se ela tivesse morrido. E meio que ela está, isso dói mais que o fato de ela estar me evitando, sempre pego ela escrevendo, é só isso que ela faz agora, escrever. 

Levanto e olho pela janela, esta nublado, as nuvens cobrem o sol e há poucas pessoas nas ruas. É a primeira manhã de sábado que não tem nenhuma criança na rua brincando ou gritando, isso me deixa frustrado, parece que todas as crianças deixaram de existir, que não existe mais vida ou alegria na rua. Parece que as crianças morreram com a minha menina. Ou será que o problema será eu que não enxergo mais vida em nenhum lugar? Acho que a Soh era o que dava vida, me dava vontade de levantar todos os dias pra enfrentar tudo e todos, ela me dava forças. Eu não me lembro da minha vida antes da Sophia aparecer, era uma escuridão infinita, ela apareceu como o sol e iluminou, aqueceu, enriqueceu me deu "vida". Depois que minha menina partiu a vida se tornou obscura, Sophia levou a luz com ela, agora eu estou cego, não enxergo nem o que está na minha frente, eu me sento inofensivo, como se alguém pudesse me atacar a qualquer minuto, e eu ia deixar, porque minha vida já não tem sentido algum sem ela. Sem ela a luz nunca mais vai se restaurar.

O telefone começa  tocar.  A ligação cai na caixa de mensagens: 

   - Lucas? O que houve? Você anda me evitando? É isso? Faz quase um mês que você não atende minhas ligações e desvia de mim na escola. Me liga urgente. A gente precisa conversar.

E como precisa Carol.

Suspiro, Por que tudo isso tinha que ser tão complicado? Se tudo fosse fácil eu estaria os braços da minha pequena, da MINHA Sophia. Eu estaria a beijando, o que eu sempre quis fazer, ela estaria nos MEUS braços, finalmente, eu estaria lá com ela até dizer chega. Mas não, é a vida, não é fácil. E nunca vai ser.

O telefone começa a tocar, me tirando de meus devaneios, É a Carol. Eu ando a evitando, creio que estou apenas tomando coragem pra acabar com ela. Coragem, uma palavra desconhecida pra mim, se eu tivesse essa tal de coragem eu já teria acabado com a Carol e estaria nos braços da minha menina. Eu sou fraco, Sophia está lá, correspondendo a tudo que eu sinto, mas eu estou aqui, com medo de magoar os sentimentos de outra pessoa que eu nem sei se tem sentimentos por mim ou não. O quão estupido isso é? O quão imbecil eu sou?

Eu faço a única coisa que ainda me da prazer em fazer. Ligar pra Sophia, ouvir a voz dela na mensagem de saudação é a única coisa que tem me acalmado ultimamente. Eu disco o número dela e começa a chamar.

   "Oi, é a Sophia, se tem algo pra falar vá em frente e deixe um recado."

Eu tenho muitas coisas a falar Soh, mas confesso que não tenho coragem de deixar uma mensagem, desculpa. Então eu desligo o telefone e volto a deitar na minha cama e dormir. Sonhei que eu estava com a Soh, foi o melhor sonho que eu ja tive. 



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