Pequenas Confissões: Mais cartas

16:25


Querido Lu,

Depois daquela primeira carta que lhe escrevi a vida complicou um pouco e lhe escrever virou rotina, todo dia te escrevo sobre o meu dia e os acontecimentos cotidianos, que já não tem mais graça sem você. Minha mãe sente sua falta, perguntou porque você nunca mais veio aqui, acho que ela está se preocupando comigo. Eu já não como direito, já não penso direito, minhas notas tiveram uma caída alarmante, mas por mais incrível que pareça, minhas notas em redação aumentaram, a professora diz que eu tenho paixão em escrever. Ela não sabe que sempre que eu escrevo penso em você, ninguém sabe. Só eu e o papel, já que faço minhas confissões a ele, não é bem a ele, é a você, mas você sabe, cartas que nunca serão enviadas não chegarão aos seus remetentes.

As coisas estão estranhas para mim, eu não sou a mesma, eu não me sinto a mesma, tem vezes que eu só quero sentar em algum canto, me isolar e chora. Eu queria que você estivesse aqui, sabe? Você sempre foi minha âncora, quem me mantinha no chão nos momentos de desespero, agora eu sou como alguém boiando em mar aberto, eu só fico me movendo. Por mais que eu lutasse e nadasse eu não consegui volta pra praia, então eu só desisti. Lucas, você sempre me disse que a desistência é para os fracos, que os desistentes estão abaixo dos perdedores, porque os perdedores pelo menos tentaram. Eu tentei Lu, mas perdi, perdi feio, desculpa por desistir, mas a vida sem você é difícil, eu não lembro de enfrentar algo sem você, eu desaprendi, eu não sei mais.       

Uma hora na vida você aprende que não pode confiar em ninguém, você acaba desiludido da ideia que algum conto de fadas exista, e que o real príncipe encantado esteja aqui. Acho que os sapos, uma hora, serão suficientes, eu vou desiludir de algo verdadeiro. Lucas, eu aprendi que no mundo ninguém pensa em nada além de si, que ninguém é seu amigo, que na real, ninguém liga. Eu queria pisar em todos que já me fizeram chorar, Lu, mas eu me sinto fraca, não da pra fazer nada sem você, a vida ficou mais escura. Eu aprendi mais uma coisa nesses dias, a mágoa é inevitável, você só não pode se fazer de cego e ignorar a lição que ela nos dá, eu me fiz de cega, Lu, e me machuquei feio. As pessoas não prestam Lucas, você me avisou, mas eu não confiei em você, estupidez, desculpa. Eu acreditei que o mundo podia ser um conto de fadas onde todos são bons e não há maldade no mundo. Só que até nas pessoas mais puras existe um pouco de maldade guardada, um tipo que eu achava que não existia, até me afastar de tudo e de todos e notar cada minucioso detalhe que nos envolve sem que nós percebamos. É a coisa mais feia e nojenta que existe.

Vou indo, Lu. 
Nunca esquece eu eu te amo.
De sua menina.
Sophia.



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