Pequeno relato de alegria

13:26


Esse é um post sobre gentileza e as marcas que deixamos nas pessoas. 

Eu conheci um garoto quando estava na quinta série, quando ainda estudava em um colégio grande o suficiente para que, juntando todas as turmas do E.F. II, tivessem apenas 80 alunos. A gente não era do tipo super-amigo, nem nada assim, mas nos dávamos bem. Era um contraste interessante, ele era uma série acima da minha e devia ter cerca de 1,85m – do meu lado, na época com cerca de 1,51m, imaginem como não era. Não chegávamos nem a nos falar muito, só nos corredores quando nos encontrávamos, nos passeios da escola, fila da cantina.

O ano passou, como sempre passa. Nosso colégio foi vendido e com a venda, as turmas só iam até a 4° série. Depois de um bocado de conversa e insistência, minha mãe topou me colocar na sede principal do colégio que comprara o meu, a maioria dos meus amigos ia para lá também. O ano começou e de repente, nos esbarramos de novo. Nesse ano, as coisas foram diferentes. O colégio era bem maior que o anterior, os círculos sociais aumentaram como consequência. Eu fiz muitos amigos logo que entrei, e em um determinado momento, no meio da muvuca do corredor na hora do intervalo, lá estava ele, conversando com um amigo – muito gato, que por sinal, já foi minha paixonite-não-correspondida-e-temporária. Meio sem opção – nos corredores de escola, não temos muito o que fazer, o negócio é seguir o fluxo – a conversa veio aos meus ouvidos. Ele falava com o bonitão sobre uma prova, sobre estar nervoso, sobre o futuro dele depender daquilo, sobre ser o sonho dele. Não exatamente desse jeito, claro, meninos não conversam assim em plena 7° série. Ele era um cara bacana, eu gostava bastante dele, sempre tinha sido gentil comigo – desconsideremos o bullying pela altura, claro. Então, vendo aquele nervosismo gritante, quando voltei para a sala de aula, escrevi uma pequena carta desejando boa sorte e dizendo que ele ia conseguir o que quisesse, porque merecia isso. 

A zoação durou bastante tempo, ninguém além de nós dois sabia o que tinha escrito no papel, então todos chegaram à conclusão de que era uma cartinha de amor. Nenhum dos dois ligou muito para isso. Passou-se o tempo, nos aproximamos, nos afastamos, um ou dois anos depois ele me contou que não passou. E eu, apenas pedi para ele não desistir.

E ele não desistiu. Hoje é dia 12 de dezembro e já há um bom tempo nos não conversávamos. Passaram 3 anos desde que entreguei aquele papel para ele, e hoje, ele me deu a alegria de dizer que passou na prova (e nas fases seguintes) e sentiu que tinha que me contar. Me mandou fotos dizendo que era a primeira amiga para quem ele mostrava. 

Eu resolvi escrever esse post contando isso porque, ao longo da conversa com ele, eu me senti inundada por uma gratidão e felicidade mútua. 3 anos depois, ele ainda guarda aquela folha de papel arrancada do fim do caderno. 3 anos depois, ele ainda me agradece por ter acreditado nele, e eu, ainda acredito. Tuane lançou a campanha Doe Elogios, acho que um dia posso lançar a “doe gratidão” ou algo do tipo. Agradeçam, sempre. E mereçam agradecimentos. Faz tempo que não me sinto assim, com tanta luz e amor me envolvendo. Obrigada por lerem.


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