Sol, vento e lágrimas

12:49


O vento bate no meu rosto, é confortante, como se algo começasse a fazer sentido no mundo, quando, na verdade, não faz sentido algum. A areia nos meus pés é a única coisa que tem me reconfortando nos últimos dias, meses, melhor dizendo. Já se passaram dois meses desde aquela briga, dois meses de agonia, de sofrimento e de lágrimas derramadas a noite. Dois meses que eu durmo cada noite pior, quando não tenho pesadelos, sonho com a minha menina, os dois me fazem acordar chorando e desejando que ela estivesse comigo, que eu pudesse secar as lágrimas dela.

As lágrimas dela, um dos principais motivos pelos quais eu mato aula toda aula de redação para vir a praia, toda aula é a mesma coisa, ela senta, escreve naquele estupido diário dela e chora, chora muito, o que me faz agonizar, me faz querer largar tudo e abraçar ela. Eu tentei olhar o que diabos ela escreve naquele diário uma vez, tentei olhar pelo seu ombro. Mas ela fechou bruscamente aquele livro de capa dura preto e foi se sentar do outro lado da sala, e é assim até hoje, mas não antes de que pudesse olhar meu nome. Meu nome. No diário dela. O que ela escreve sobre mim? Ela sente minha falta? Por que ela está me evitando? Ela já me esqueceu? Eu a fiz sofrer? E a pergunta de um milhão de dólares, ela ainda me ama?

Acho que eu entrei em alguma espécie de crise existencial, eu não sei mais quem sou, eu sou qualquer coisa, menos o Lucas de dois ou três meses atrás. Eu sou alguém triste, alguém que eu olho no espelho e não reconheço, eu sou um completo desconhecido, pra mim, pros meus amigos e pros meus familiares. Eu sou algo estranho, algo sem vida, algo que respira automaticamente. Eu sou um Lucas sem o amor da sua vida. Eu sou um Lucas sem sua vida.

Eu só queria dizer que eu a amo. Que eu preciso dela, preciso dela como as flores precisam do Sol, como nós precisamos de água ou oxigênio, preciso dela mais que eu preciso de comida, tenho necessidade dela mais que eu tenho necessidade de dormir. Dizer pra ela que, se ela me pedisse eu largaria tudo e pagaria o primeiro voo pra onde ela quisesse só pra pegar uma folha da árvore da escolha dela. Por ela, o mundo todo. Com ela, a vida toda. Sem ela, dor e sofrimento. Por ela, tudo.



Posts relacionados

2 comentários

  1. Respostas
    1. Muito obrigada, mesmo. É sempre bom alguém que gosta do que a gente faz elogia :D

      Excluir