Resenha: O Mundo de Sofia

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Um livro aparentemente interminável, mas que vale a pena levar a leitura até o final. É recheado de informações, então você precisar ler com cuidado para conseguir absorver tudo, e às vezes é preciso voltar alguns capítulos para relembrar certos assuntos. Mas eu consegui terminar, mesmo meses depois, somados a alguns anos enrolando o Mundo de Sofia na minha estante.

O livro conta a história de Sofia Amundsen, uma garota a algumas semanas de completar 15 anos e que está também às vésperas de iniciar uma nova fase na sua vida, afinal, ela não é mais uma criança. Mas quando alguém começa a lhe mandar cartas falando sobre grandes filósofos da antiguidade e lhe fazendo perguntas esquisitas sobre quem ela é ou de onde vem o mundo, Sofia se depara com um mistério muito maior do que a "vida adulta".

Ela então passa a receber um curso de filosofia, e o leitor se torna um aluno também. O autor consegue explicar as grandes ideias ao longo dos séculos usando uma linguagem bem simples, tirando todo aquele peso de complicação que as pessoas colocam na filosofia. E você, junto a Sofia, passa a fazer perguntas sobre o mundo que antes pareciam irrelevantes.

Além disso, o livro é uma aula de história. O curso segue uma ordem cronológica e passa por todos os períodos importantes da civilização. Eu, que não tenho essa matéria esse ano, achei maravilhoso. Entretanto, o livro passa pela história da filosofia explicando um pouco superficialmente, porque esse assunto, na verdade, vai muito além do que é dado no curso que Sofia recebe. Mas se você quiser, só se tiver interesse mesmo, pode se aprofundar nos projetos dos grandes filósofos citados.

Mas não se trata apenas de filosofia, há todo um envolvimento com a vida de Sofia. Ela passa alguns capítulos tentando saber mais sobre seu professor, até finalmente conhecê-lo. O problema maior são os cartões-postais enviados por um major do Líbano para Hilde Moller Knag, duas pessoas as quais Sofia não faz a menor ideia de quem sejam. O homem escreve que precisa deixar os cartões aos cuidados da garota para que ela possa entregá-los a Hilde. Mas Sofia não faz ideia de como encontrá-la. A medida que a história evolui, tudo vai ficando mais esquisito e, quanto mais próximo da verdade ser revelada, mais confusa parece estar. Fiquei realmente surpresa com a explicação. É louco e ao mesmo tempo muito, como posso dizer? Muito cheio de significado. 

Quando terminei de ler comecei a pensar nas ideias um pouco distantes da realidade que alguns filósofos da antiguidade tinham naquela época, que pareciam geniais com tão pouca informação (ainda parecem). Mas cada ideia que foi exposta ao longo da história serviu como meio de construção para as outras, e hoje ainda estamos evoluindo o pensamento, o que significa que as respostas para as grandes questões não são definitivas e estáticas, são um processo. 

O filósofo que mais me atraiu foi Sartre, o último a ser citado, pois ele fala sobre algo que para mim sempre pareceu importante: o sentido da vida. Não, não é 42! E a resposta que ele dá é tão óbvia que é difícil entender por que alguns caras antes dele buscaram outras explicações. Porém, como eu disse, as ideias vão evoluindo. Sartre diz que a vida não tem sentido pré-definido, mas cada um deve criar o seu próprio sentido. Ele fala algumas outras coisas mais que eu considero muito verdadeiras e importantes, mas isso vocês descobrem lendo ;D

Aprendi bastante com O Mundo de Sofia. Também questionei minha existência, o mundo a minha volta e as nossas crenças. Sem falar que o drama da história é super envolvente. Apesar de tudo, não gosto muito da Sofia não. Sei lá. Meio abusada. Mas é meio difícil eu gostar de algum protagonista mesmo suahsuahu

Alguém aí já leu? 

Postado por: Ana Letícia

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