#PTM Adeus

21:03


Day05 – Inspire-se na sua música favorita
Não tenho música favorita, mas escolhi All I want – Kodaline porque descobri essa música num aplicativo mês retrasado e curti tanto que passei dias escutando sempre. (obs: eu escrevi esse texto, incluindo este pequeno parágrafo explicativo, já faz seis meses). Acabei me inspirando em Ainda é cedo - Legião Urbana também, porque quando comecei a escrever vi que estava ficando meio parecido, então continuei. E é isso.

Perdi o momento em que nós nos desencontramos. Talvez nunca tenhamos andado lado a lado, na verdade. Sei que não a perdi somente naquele momento, quando ela me lançou um sorriso como se pedisse desculpas e fechou a porta pela última vez. Já não éramos os mesmos bem antes disso. Mas ela fez promessas, disse que ficaria até o fim dos nossos dias. Jurou todo o amor que nem fazem naqueles filmes de romance, mas quem sabe ela também só estava seguindo o roteiro. Ela fazia muitos planos e eu concordava com tudo sempre sorrindo, porque estava perdido, e sozinho não saberia aonde ir. Descobri em mim alguém que não conhecia, que estava vivo e acreditava, porque entre outras coisas, ela me ensinou a ser assim. Eu sabia que aquele amor me alimentava, então a qualquer momento eu poderia me ver perdido outra vez, porém eu me agarra a ilusão das promessas e dos meus devaneios, como todo estúpido amante faz. 

Quando a vi dizer adeus com a mochila nas costas, soube que tudo que eu era estava escondido ali entre aquelas roupas, mas não nos pensamentos. O apartamento ficou vazio. A cama ficou vazia. Eu fiquei vazio. O perfume dela ainda impregnava o ambiente. Não sei dizer se foi ontem ou há várias semanas, já não conto mais os dias. Sento em frente à porta todas as manhãs ao acordar na esperança de vê-la girar a maçaneta novamente. Tenho certeza que poderia morrer feliz se fosse presenteado com o seu sorriso só mais uma vez. Às vezes olho pela janela e me questiono se não poderia encontrar outro alguém como ela, mas todas as pessoas parecem tão vazias, tão distantes, que eu me pergunto se ela pertencia mesmo a esse mundo. Tínhamos nosso próprio universo, é claro, e eu ainda me sinto preso a ele. Então penso se ela se tornou uma dessas pessoas estranhas também. Ou se na verdade sempre foi. 

Não me lembro das palavras que trocamos naquela noite, mas certamente nunca deveriam ter sido ditas. Eu apenas não queria deixá-la ir. Talvez fosse egoísmo, talvez fosse só fraqueza mesmo. Ela prometeu que não iria, mas se foi. E me levou com ela. Agora espero em vão pelos dias felizes nos quais ela me ensinou a acreditar, porque não há mais nada para esperar do futuro incerto. Quando penso no passado procuro apenas as falhas que cometi, e o que havia de errado com nós dois. Não sei se o seu último sorriso pedia perdão, mas eu a perdoei. E espero que ela me perdoe por tê-la deixado partir. Desejo que ela decida voltar e me preencha novamente, já que o vazio que eu sinto por dentro me sufoca, e eu não encontro caminhos que não me levem de volta aos seus braços. Parece uma daquelas histórias de filme de romance, não é? Mas a nossa não tem final feliz. Ela jurou que me amava, mas ela foi embora. E não volta.

Postado por: Ana Letícia

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