Zumbimentador negramente emburacado

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Eu senti, não pela primeira vez, aquele pequeno vazio se expandindo dentro de mim, tornando-se gritante. Sabe os buracos negros? Com toda a certeza você já "viu" algum em um vídeo ou filme, até mesmo um desenho animado... A sensação é como se dentro de mim houvesse um desse, sugando para si tudo que pode, tirando de mim toda a minha vontade de... De tudo. Simplesmente tira a minha vontade. Meu buraco negro me empurra para o sofá e liga a televisão em canais bem nada construtivos. Esconde meus livros, a chave de casa e bloqueia os bons filmes no computador. Se um buraco negro não foi ilustrativo o suficiente, pensa nos Dementadores de Harry Potter. Nos zumbis de The Walking Dead. É mais ou menos uma mistura disso tudo. Mais uma vez me vi daquele jeito, com um olhar meio peixe morto, com a animação de tal. As cortinas fechadas, as portas trancadas, o cobertor exercendo seu trabalho perfeitamente, jogado por cima de mim. Até que de algum jeito um raio de sol conseguiu entrar no quarto e bater bem na minha cara, me deixando quieta por uns segundos. Depois, iluminou o ambiente de uma maneira sutil, mas que me dava uma boa visão das fotos coladas por aí.

As fotos... Coladas por aí como um lembrete de lutar contra o meu pequeno buraco negro zumbimentador. Cada flor e cada sorriso estampado naqueles pequenos papéis retangulares me lembraram da graça que a vida tem. Olhando rosto por rosto, me senti iluminar por dentro. Praticamente a velha batalha luz-trevas. E cada vez que meus olhos focavam em uma foto diferente, eu sentia como se essa luz dentro de mim crescesse. A vó, a melhor amiga, o amigo-irmão, o amigo do amigo. Praticamente um suprimento de batalha. E quando dei por mim, já estava em pé, de frente para tua foto, com um sorriso no rosto e a sensação aliviante de batalha vencida.Eu sabia muito bem que aquilo tudo voltaria, mas nesse momento tinha certeza de que conseguiria vencer tudo de novo. Principalmente com tanta ajuda ao meu redor.

Por um momento, fiquei apenas ali, parada, apreciando a vida dentro (e fora) de mim. Pensando e sorrindo, imaginando o que fazer afinal com tanta energia boa aqui dentro. Mas quando voltei ao presente e ao real, veio a mim um pensamento desanimador, e quase quis me sentar de novo na cama. Em vez disso, caminhei rabugentamente até a cozinha, porque para minha infelicidade, o buraco negro não engoliu a pilha louça na pia.




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