Amor vs Paixão

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Amor: Afeição profunda a outrem, a ponto de estabelecer um vínculo afetivo intenso, capaz de doações próprias, até o sacrifício. 
Paixão: Sentimento tão forte quanto o amor, mas efêmero, provocador, impulsivo, desesperado, inquieto.

Outro dia na aula de sociologia estava eu vendo um seminário sobre Zygmunt Bauman, um sociólogo polonês que em todos os seus trabalhos bateu na mesma tecla: os jovens não estão sabendo mais se relacionar. Eu tive certeza disso quando um amigo me perguntou qual era a diferença entre amor e paixão. A resposta parecia tão obvia pra mim, pra mim. Eu, uma romântica incorrigível. Foi ai que me veio essa incrível compulsão de escrever sobre isso, veio como uma necessidade. 

Zygmunt Bauman explica em suas obras que as relações estão cada vez mais líquidas, ou seja, essas relações não tem estrutura, assim como começa, termina. Ele diz que o prazer na relação de hoje não está em se arriscar por certo alguém, e sim o quão menos prejudicado você sairá dessa relação. Como exemplo, ele usa o Facebook, o quão simples é excluir um "amigo" do seu perfil, simples, fácil e sem remorso. Acho que aí está nossa diferença. Os casais não sabem mais amar, suas relações estão tão sólidas como água, eles não conseguem se jogar de cabeça em algo porque sempre estão medindo prós e contras. Algo nos prende no chão e sempre estamos vivendo uma relação baseada no pensamento em quando irá acabar. O prazer não está naquela pessoa, está em quão menos prejudicados os cidadãos em questão sairão dessa relação. 

Como uma boa leitora de romances aqui está minha definição piegas de paixão: Paixão é um sentimento avassalador, provocado por estimulações físicas, aparência, "amor a primeira vista". Paixão é o fogo que arde quando você vê aquela pessoa é o que mantêm a chama desejo sempre acesa, nunca a deixando se apagar. Paixão são duas pessoas se "pegando" na rua te deixando completamente constrangida, é o que sentimos quando vemos aquela pessoa, taquicardia, mãos suando, vontade de sair correndo e se jogar em seus braços. Paixão é desejo, é carne, é fogo. 

Sendo novamente piegas, aqui está meu amigo amor: Já o amor é calmo, é paciente, é quieto. Ele se manifesta sutilmente, mas quando se manifesta completamente, é fatal. Alguns estudiosos dizem que só podemos sentir esse sentimento o resto da vida, pra você ver o quão preguiçoso ele é, o resto é a paixão. O amor é aquele dia chuvoso que você pode ficar na cama até tarde, amor é acordar ao lado da pessoa todos os dias, mesmo quando a paixão deixou de ascender sua tocha há algum tempo (ou não), é aquele colinho de mãe que vem sempre em bom momento quando alguém parte seu coração. Amor são duas pessoas se olhando, aqueles olhares que te deixam com falta de ar e vontade de ir até eles dois só pra pedir um abraço e dizer "own", é o que sua mão sentiu ao te pegar nos braços pela primeira vez, como se aquela pessoa, a partir daquele momento fosse o que te segura na Terra.  Amor é calmo, sereno é sofisticado, não pressa para o amor, ele simplesmente acontece.

 Bom, aqui estão as minhas duas definições. Vou deixar aqui meu pedido para que as meninas também definam e vocês também. Vou deixar o nome de um livro que explica melhor essas teorias de "relação de Facebook" e minha recomendação, eu ainda não li, mas pretendo. Parece ser uma leitura interessante. 

Amor Líquido - Sobre a Fragilidade dos Laços Humanos Modernidade líquida – um mundo repleto de sinais confusos, propenso a mudar com rapidez e de forma imprevisível – em que vivemos traz consigo uma misteriosa fragilidade dos laços humanos, um amor líquido. Zygmunt Bauman, um dos mais originais e perspicazes sociólogos em atividade, investiga nesse livro de que forma nossas relações tornam-se cada vez mais “flexíveis”, gerando níveis de insegurança sempre maiores. A prioridade a relacionamentos em “redes”, as quais podem ser tecidas ou desmanchadas com igual facilidade – e freqüentemente sem que isso envolva nenhum contato além do virtual –, faz com que não saibamos mais manter laços a longo prazo. Mais que uma mera e triste constatação, esse livro é um alerta: não apenas as relações amorosas e os vínculos familiares são afetados, mas também a nossa capacidade de tratar um estranho com humanidade é prejudicada. Como exemplo, o autor examina a crise na atual política imigratória de diversos países da União Européia e a forma como a sociedade tende a creditar seus medos, sempre crescentes, a estrangeiros e refugiados. Com sua usual percepção fina e apurada, Bauman busca esclarecer, registrar e apreender de que forma o homem sem vínculos — figura central dos tempos modernos — se conecta.



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