Entre cartas e planos

18:57


O papel fino de caderno escorrega pelas minhas mãos. Então era isso? Era isso que a Sophia, a minha Sophia, tinha a dizer pra mim? "Talvez, um dia, quem sabe, a gente se veja no futuro". Ela não sabe como me magoou só com essas palavras. Um "talvez" era tudo que ela tinha a oferecer a nossa amizade, aos nossos sentimentos... Um nunca. Ela se foi me deixado apenas uma carta como uma vaga lembrança dela e do que nós passamos? "Valeu, isso é tudo"? Ela, nesse momento, está cruzado o atlântico sem nem ao menos se despedir devidamente de mim?

E o pior de tudo é que eu não posso fazer nada, eu não posso largar tudo e pegar um avião pra França. Como poderia? Com que dinheiro? Mesmo que eu tivesse, iria fazer o que lá? Andar com uma plaquinha "Você viu essa garota" com a foto da Sophia? Nem bom dia eu sei dar em francês, como diabos iria me virar em Paris? Eu poderia ir até a mãe dela perguntar o endereço da escola dela, mas e ai? O que acontece depois? Ela não iria me receber. Ela não quer nem mais olhar na minha cara. Mas como poderia? Depois de tudo que eu fiz, que a Carol fez. Eu não sei quando ou como a verei de novo. Eu vou ter que fazer a última coisa que giraria de fazer agora. Esperar. Quando tudo estiver mais calmo eu irei até mãe dela implorar por qualquer tipo de informação sobre a localização da Sophia. Mas pela carta, sua mãe não vai me dizer muito mais do que eu sei. Eu preciso de um plano, já.

Uma leve batida na porta interrompem meu pensamentos e me acordam de meus devaneios. Eu limpei as lágrimas que já começavam a rolar.
- Entre - Minha voz sai um pouco rouca demais.
- Lucas? - Era o Augusto.
- Hey, o que você está fazendo aqui?
- Eu só vim saber como você está. Sabe... Sobre a Sophia e a viagem. - Ele fala baixando a cabeça.
- Eu sinceramente não sei o que dizer, parece que meu coração não está mais aqui. Ele foi pra França com ela. Ela levou tudo. Eu não sei quem eu sou sem ela. Não da.

Augusto sempre foi a pessoa que eu me apoiei, depois da Sophia, claro. Eu o conheço desde menino, ele foi meu primeiro amigo e, antes dessa confusão, a pessoa que eu contava tudo sobre os meus sentimentos sobre a Sophia. O único que sabia de tudo. Eu precisava contar pra alguém, se não explodiria. Ele era o único que eu confiava o bastante para isso.
- Mano... Eu só posso dizer que sinto muito, Lucas. Eu... Eu nunca passei por algo como isso. Nunca me apaixonei como você se apaixonou pela Sophia. O que você vai fazer?
- Não faço a mínima ideia. Ela levou tudo, Guto. Tudo. Eu não sei quem eu sou sem ela. Eu não sei viver sem ela.
- Lucas, eu odeio te dizer isso, cara. Mas já era. Ela pegou um avião pra bem longe daqui. Deus sabe quando e se... - Eu não deixei ele acabar a frase, eu não suportaria.
- Não. Ela vai voltar. Ela vai voltar! Eu sei. Eu sinto. Ela TEM  que voltar, Guto. Ela tem... - Eu não consegui, ou pude, terminar o que eu estava falando. As lágrimas já tinham tomado meus olhos. Eu já soluçava. O Guto apenas ficou parado, ele sabe, aquele era o meu momento. Eu precisava desesperadamente desabafar tudo daqueles últimos meses.

Quando as lágimas perderam suas forças o Augusto sentou ao meu lado.
- Lucas, tenta ficar bem. A Soh não gostaria de te ver assim, pensa nela.
- É só isso que eu faço, pensar nela, é tudo. Mas como eu vou ficar bem? Ela não quer me ver. Minha menina me odeia. Ela não quer mais falar comigo, ou olhar na minha cara. Ela não se importa. Pelo menos não mais.
- Lucas, quando você vai deixar de ser tão cego? Eu já te disse milhões de vezes, ela te ama! Ela deixou isso bem claro pra quem quisesse ouvir. Por isso ela foi pra Paris.
- Eu sei - Suspirei - Mas ela não está mais aqui. Ela pode querer me esquecer, mas eu não quero esquecer ela.
- Então Lute!
- Como!? Ela não quer me ver mais nem pintado.
- Você iria até Paris atrás dela?
- Eu iria até o fim do mundo por ela.
- Então ta feito, eu vou te ajudar.

Passamos a tarde planejando como eu iria achar a Sophia na França e conquista-la. Pode demorar meses. Mas minha menina vai estar em meus braços novamente, em muito breve.



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