Hello Paris, bye Lucas

13:05


Abro meus olhos, devagar, como se estivesse me preparando para algo. Acho que no fim estou mesmo, me preparando para mais um dia longe de casa, longe da minha família, dos meus amigos... E dele. Um mês se passou, um mês na França, era pra ser um sonho, não é mesmo? Mas não está sendo assim. Infelizmente. Por partes sim, desde que conheci Rafael Bianchini, ele se tornou meu porto seguro, minha boia nesse oceano infinito.

Rafael e eu nos conhecemos na minha primeira semana aqui, ele é carioca, estuda gastronomia aqui. Ele tem um cabelo castanho pra cima, eu vivo implicando com ele por isso, seus olhos azuis me hipnotizam, ele vive com a barba por fazer, o que torna ele mais irresistível. Ele é meio que um mochileiro, vive pelo hoje, ele não é o senhor músculos, mas por todas as aventuras ele tem certa quantidade de gostosura em si. Eu realmente me sinto bem perto dele, ele me faz esquecer tudo de ruim que eu já vivi, eu poderia tentar algo de verdade com ele, se não fosse pelo Lucas. Rafael tem sido muito paciente comigo, paciente até demais. Ele entende tudo que eu passei com o Lucas e tem me esperado pacientemente. 

- Pronta ou não, estou entrando - Aquela voz rouca que eu começo a amar tanto diz do lado de fora. - Bom dia, mon cheri.
- Bojour, Rafael - Digo me levantando - O que faz aqui tão cedo?
- Vim te resgatar da monotonia brasileira do domingo. Você está em Paris, mon cherri, todo dia é dia de aproveitar. Ótimo dia para um passeio, não acha? - Diz ele sentando do meu lado.
- Como você consegue? - Digo sorrindo, um sorriso verdadeiro, um daqueles que eu não dava em muito tempo.
- Consigo o que? - Diz ele ajeitando um mecha do meu cabelo que se soltou do rabo de cavalo. 
- Me fazer tão feliz mesmo eu estando sendo uma imbecil te fazendo esperar.
- Eu já disse, você vale a pena a espera - Diz me dando um beijo na bochecha.
- Rafa?
- Sim, mon cherri? - Diz ele, colando nossos narizes.
Eu não pensei, apenas o beijei. Dane-se o Lucas naquele momento, eu só queria ele pra mim, Rafael, era só o que passava na minha cabeça. Ele ficou surpreso de primeira, mas correspondeu meu beijo, suas mão estavam em minha cintura e meus braços entrelaçados em seu pescoço. O beijo acaba quando ambos estamos sem folego.
-Uau - Ele ri - Isso que eu chamo de surpresa. - Rimos juntos.
- Okay, saia do meu quarto, eu tenho que me vestir para o nosso tour por Paris.
- Como quiser, madame. - Ele faz uma reverencia - Eu fiz o café.
- Graças a Deus eu tenho você aqui pra fazer meu café. - Eu rio - Agora saia - Digo jogando um almofada nele, mas ele já tinha fechado a porta. 
Eu deito na cama, pensando nele. Que sorte a minha em ter ele aqui. Levanto - me para me vestir.

- Certo, estou pronta - Paris estava um pouco frio naquela época do ano, então eu vestia calça jeans, um casaco um pouco mais grosso, uma blusa e meu cachecol favorito.
- Já comeu seu café? - Ele pergunta se levantando do sofá.
- Você acha que eu, euzinha, Sophia, dispensaria sua comida de alguma forma?
- Não gulosinha, nem aqui nem na China você dispensaria alguma comida. - Ele diz rindo.
- Nossa, como você é engraçado - Digo jogando uma almofada nele.
- Olha, mocinha - Ele diz rindo - Você tem que parar com essa mania de jogar as coisas em mim.
- Só faço isso porque te amo.
Ele se aproxima e acaricia meu rosto - Eu realmente queria que você falasse a verdade quando fala isso.
- Desculpa, eu não... - Ele me silencia com um beijo.
- Sem desculpas, mon cherri, carpe diem. - Ele diz segurando meu rosto como se fosse algo precioso.
- Então vamos, estamos perdendo minutos preciosos do dia de domingo em Paris. 
- Como quiser.

- Você não sente frio? - Pergunto a ele quando saímos do Louvre.
- Acho que acostumei, se perceber, só você está com esse casaco groso e cachecol aqui. 
Eu observo melhor - É verdade, devo tirar? - Ele ri.
- Você fica adorável quando não sabe o que fazer.
- Cala a boca - Digo batendo em seu braço.
- Corrida até o carrinho de sorvete?
- Você vai perder de novo.
- Eu só sempre te deixo ganhar, cale a boca - Ele ri.
- Claro, e eu sou o Bozo.
- A palhacinha mais linda que eu já vi. - Ele ri
- Meu Deus você é muito chato.
- Um chato que você adora.
- O chato mais lindo do mundo - Digo o abraçando.
- Sorvete?
- Sorvete.

- Acho que a Torre Eiffel é superestimada.
- Como  um pedaço de metal pode ser superestimado, Rafael?
- Exatamente, é um pedaço de metal, por que é tão importante?
- Porque é um pedaço de metal histórico. - Digo me sentando na grama  e batendo na parte ao meu lado, dizendo pra ele se sentar.
- Humpf, grande bosta de pedaço de metal, se seu fizer um pedaço de metal hoje, ele vai ser histórico daqui a 120 anos? - Ele diz se sentando e colocando a garrafa de refrigerante ao seu lado.
- Não, porque não vai ser um pedaço de metal de 324 metros, vai ser só mais um pedaço de metal inútil.
- E se eu construir um pedaço de metal com 330 metros?
- Você não vai.
- Isso é um desafio?
- Não, isso é uma constatação.
- Você é muito chata.
- Você me ama, admita.
- Eu te amo - Ele fica me olhando, uma ternura diferente em seu olhar, um brilho diferente. Eu fito aqueles olhos azuis, como se pudesse mergulhar neles, implorando para ele nunca me abandonar.
- Você sabe que se eu pudesse eu diria o mesmo, né?
- Eu sei, vem cá. - Ele me abraça, e nós deitamos na grama - Só te peço uma coisa.
- O que? 
- Não vai embora. - Ele olha com um olhar suplicante.
- Eu ia te pedir o mesmo - Ele chega mais perto e me beija mais um vez, mas não foi como o primeiro, não foi urgente, foi calmo, como se o mundo fosse acabar e nós nem fossemos notar.
- Vai começar, mon cherrie.
- O que?
- Olhe.
Então fogos de artificio explodiram no céu, um espetáculo de cores e formas.
- Uau.
- Eu disse que Paris era maravilhosa.
- Só com as companhias certas.
- Claro.

- Obrigada pelo passeio - Disse quando chegamos na porta da minha casa.
- Meu prazer, quando precisar é só ligar. Bonne nuit, ma petite. - Diz ele me dando um beijo na bochecha e indo em direção ao elevador.
- Rafa!
- Sim?
- Você... Você não gostaria de ficar?
- Tem certeza disso, Sophia?
- Sim, você podia cozinhar. - Digo sorrindo.
- Claro, claro.
- Então...
- Eu fico
- Okay, entra então. - Eu digo sorrindo, ele entra. O desfecho perfeito para um dia perfeito.

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