Não deixe ninguém dizer que você não é um unicórnio

14:43


-Andy? Você está aí?- Diz Lucia abrindo a porta do escritório, me encontrando lá.- Ei, achei você, sabia que estava aqui. O que houve?

- Você sabe que eu não lido bem com pessoas. Principalmente vestida assim - Digo brincando com o globo terrestre ao lado da mesa de meu pai.

- Essa festa é importante para os negócios de seu pai, menina. E você está linda. - Diz ela ajeitando um fio solto do meu cabelo.

- Eu me sinto outra pessoa vestido esse vestido, essas joias e principalmente esses sapatos. Deus, meus pés doem. - Digo sentado-me na cadeira do meu pai.

- Você nunca fez o tipo princesa, sabia que não ia começar agora, mas prometi ao seu pai que ia te manter nessa festa.

- Sorria e acene, não é mesmo? - Digo dando uma risadinha sem emoção.

- Você sabe que não é bem assim.

- Lucia, eu entendo. Você é paga para cuidar de mim e garanta que eu esteja nesses eventos como a boa filha que sou. - Digo me levantando - Mas eu só precisava de um momento, minhas bochechas estavam começando a doer de tantos sorrisos falsos.

- Sinto muito que eu tenha que fazer isso, menina. Eu sei o quanto você odeia essas festas. - Ela diz vindo até mim e me abraçado.

- Eu também sinto. - Digo e dou um suspiro - Mas vamos, papai ainda tem muitos empresários para bajular e dizer o quanto a filha troféu dele é magnifica.

- Não diga isso de seu pai, ele...

- Eu sei, eu sei - Digo a interrompendo - Ele só quer meu bem, mas essas festas são importantes. Eu sei de tudo isso, Lucia.

- Vamos, coloque um sorriso no rosto, apenas mais duas horas e você estará livre.

- Bem gostaria, Lucia, bem gostaria.

- ... Andréa? - diz o conde não-sei-do-que que meu pai me deixou conversando. Sozinha.

- Oh, sinto muito, senhor. Estou meio avoada hoje. Se me permite vou tomar um pouco de água para ver se acordo.

- Certamente. Boa noite, senhorita

- Boa noite, senhor - Digo me retirando.

Vou até a mesa e pego um pouco de água, respiro fundo e olho para cima, talvez Deus jogue um raio aqui e acabe com essa festa.

- Você enlouqueceu, Andy - Digo para mim mesma.

- Festa bacana não é mesmo? - Um garoto que aparenta ter uns 17 anos me assusta.

- Desculpe-me?

- Sou Daniel - O garoto loiro de olhos pretos como um corvo sorri pra mim.

- Olá.. Sou...

- Andréa - Eu sei, ele sorri - Acho que todo mundo aqui sabe disso.

- Claro, quem não saberia o nome da filha troféu do prefeito. - Digo olhando para baixo.

- Não diria que você uma filha troféu. Você aparenta ser bem mais do que isso.

Eu dou uma risadinha seca - Eu gostaria de ser mais do que isso.

- "Não deixe ninguém dizer que você não é um unicórnio." - Ele diz sorrindo.

- Como? - Ele só pode ser louco - O que você disse?

- "Não deixe ninguém dizer que você não é um unicórnio.". Minha avó costumava dizer isso pra mim. Ela era meio hippie maluca. - Ele ri - Mas ela tinha um bom coração, sabe? Antes da senhora do submundo a levar.

- Você não faz o tipo de pessoa normal não é mesmo? - Digo olhando pra ele. - Mas o que essa frase da sua avó significa?

- Significa que você não deve ligar pra o que os outros dizem. Por mais absurdo que seja o que você quer ser. Como um unicórnio. - Diz ele sorrindo.

- É uma boa frase.

- Ela era boa em dar conselhos.

- Minha mãe também era. - Digo. Uma pontada de tristeza me atinge e eu olha pro baixo.

- Sinto muito por sua perda.

- Fazem dois anos. Ela que me acompanhava nessas festas, a vida era mais divertida - Rio sem emoção.

- Eu gostaria de te ouvir rindo de verdade um dia. Deve ser uma coisa maravilhosa de se ver.

- Um dia.

- Um dia - Ele sorri.

-Andréa! - Chana meu pai.

- O dever me chama.

- Vai Andréa, vai! - Ele ri, eu o acompanho.

- Eu disse.

- O que?

- Que você rindo seria uma coisa maravilha de se ver. - Eu sorriso e olho para baixo, um pouco envergonhada.

- Até mais, Daniel. Foi um prazer.

- Até mais, Andy. O prazer foi meu.

Então eu ando até o meu pai para continuar minhas funções, sempre em mente esse garoto estranho e doce que conheci nessa festa. Daniel.

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