Por favor, não se conforme com a falta de amor

14:27


Às vezes me pergunto por que o mal sempre parece mais atrativo. As atitudes vêm até inconsistentemente. É algo que desde os primórdios da humanidade rasteja entre nós e envenena nossa alma. Usando a rotina como exemplo, basta observar o que as pessoas têm a dizer umas as outras. Se Joana aparece com um sorriso cativante, um belo vestido florido e com a aparência de quem está "magra demais", só está última característica será lembrada. Ninguém quer lembrar a ela o quanto seu sorriso é bonito ou que seu estilo é legal, coisas boas as quais são as mais difíceis de alguém notar sobre si mesmo. Mas é muito fácil chegar e perguntar "Querida, você está tão magra! Está doente ou algo assim?", como se Joana não pudesse perceber o que ela sabe que os outros julgariam nela.

As pessoas se acham no direito de dizer o que há de errado acontecendo na opinião delas, mas acham que está tudo bem com seus pequenos desvios. Eu, por exemplo, que estou agora mesmo apontando o dedão para todo mundo e cometendo ainda sim um monte de falhas. A diferença é que eu sei que estou errada e, mesmo que nunca seja perfeita (ainda bem!), não devo me acomodar. Mas e quanto aos brasileiros que reclamam da corrupção, porém não tem respeito ao próximo nem para não furar uma simples fila? E quem compartilha corrente para todos os grupos do Whatsapp defendendo a família, mas mal dá o mínimo de atenção ao próprio filho? E os religiosos que se dizem tementes à Deus, mesmo que viva julgando os outros e não tenha vergonha na cara nem para doar um quilo de alimento quanto batem à sua porta pedindo ajuda? 

Violência na televisão, medo de sair à rua e ser assaltado, guerras espalhadas pelo mundo. É ridículo dizer que é um problema de hoje, mesmo que tenhamos cada vez mais motivos para incentivar tudo isso. As pessoas sempre foram podres, basta olhar a história. Parece que o mal é tão humano e natural quanto respirar. Sabe, eu não acredito num mundo perfeito, não gosto da ideia, nem acho que funcionaria. Nós precisamos dos nossos defeitos, precisamos das falhas, da guerra, dos maus sentimentos e das suas consequências. Mas não podemos achar que se resume a isso, nem nos conformar em permanecer sempre nesse lado da realidade. Se há trevas, é porque precisamos de luz.

Sem falar de todos os discursos de ódio, muitas vezes disfarçados de opinião, que vemos por aí a fora, especialmente na internet. Parece que algumas pessoas reúnem toda a sua frustração para descontar nos outros, fazê-los infelizes também, e continuar um ciclo vicioso de negatividade. É tanta raiva, tanto rancor, tanta mentira. É nauseante parar e pensar em todas as coisas das quais o ser humano é capaz. Na sua capacidade de causar estrago. 

Mais nauseante ainda é saber que a maioria de nós sabe de tudo isso, mas acha que está tudo ok ou, pior, se acomoda por achar que não há solução. É assim que sempre foi, é assim que sempre será. Uns morrem, uns sofrem, uns choram, outros simplesmente levam a melhor. Apenas desvie e não seja atingido, até desequilibrar e cair, porque não há outra alternativa. Realmente, não podemos mudar os outros, não se for tentando esfregar na cara deles que estão errados e obrigando-os a ser diferentes. Não é assim que se ensina ninguém a ter amor no coração (sim, é disso que precisamos). Mas eu acredito que palavras têm alguma força. E que se o mal é contagioso, o bem também deve ser. Portanto, a resposta é aquele velho clichê "para mudar o mundo, comece com você mesmo". 

E nós nem precisaríamos de grandes mudanças, na verdade. Seria necessário apenas se conscientizar que não dói ser gentil, ajudar alguém ou que há sempre uma maneira mais suave de tratar os outros. Essa história de ter amor dentro de si, sabe. Não para impressionar os amigos, eles nem precisam ficar sabendo, mas para viver em paz. Nós não precisamos ficar julgando uns aos outros o tempo inteiro, nem temos que ser melhores que ninguém. Não é nada fácil ser assim, eu mesma ainda não sei bem como lidar. Mas, sinceramente, é bem mais difícil ficar alimentando ódio e aceitar como se fosse algo normal toda a maldade que me cerca. Prefiro não ser assim. Prefiro não me conformar. Mesmo que ninguém sequer leia este texto até o fim. Prefiro ser um grito no vazio. E poder ter um pouco de gentileza dentro de mim para repassar aos outros.


Postado por: Ana Letícia

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