Pequenas Confissões: Senhora decepção

18:36


- Rafael, você viu minha bota? - Eu grito do quarto.
- Aquela coisa que você chama de bota, certo? - Ele fala com aquele senhor sorriso no rosto.
- Você está muito engraçadinho esses dias, não acha?
- Por que será? - Ele disse abraçando minha cintura.
- Anda logo, a gente tem que buscar minha mãe no aeroporto, ela disse que ia trazer uma surpresa pra mim.
- Ui, uma surpresa pra dona Sophia.
- Estou animada.
- Você sempre está. 
- Nem sempre.
- Mimimi - Diz e me beija - Então, eu estava pensando...
- Se eu vou te apresentar você como meu namorado pra minha mãe?
- Você leu meus pensamentos, tem certeza que não quer virar cigana ao invés de designer? 
- Eu poderia ser uma charlatã de parque.
- Seria divertido.
- Claro, e você seria um vendedor de pipoca.
- Nós já temos um plano se nada der certo. - Ele diz rindo. - E então? - Ele fala, dessa fez serio. Eu suspiro.
- Eu não sei, acho que eu morar aqui em Paris já vai ser uma bomba o suficiente pra ela. Além disso, você não me pediu oficialmente.
- Eu não sabia que tinha que pedir, devo me ajoelhar?
- Sim, e com um anel de diamantes e 20 rosas na mão.
- Você é um pouco exigente.
- Só um pouco. - Me abaixei, pegando minha bota. - Achei!
- Achei que tinha escondido bem o suficiente.
- Engraçadinho você, não é mesmo?
- Vamos, espertinha, quero conhecer minha não sogra. - Rimos juntos.

- Acho que é ela alí
- Sophia, o avião não pousou nem ha cinco minutos, se acalme. - Ele diz me abraçando por trás.
- Desculpa, estou animada.
- Você fica fofa assim - Diz e me beija.
- SOPHIA!
- MÃE! - Saio correndo pra abraçar ela, deixando o Rafael rindo atrás de mim.
- Que saudades, mamãe.
- Eu sei, parece que faz anos que não nos vemos.
- Eu sei, mas faz apenas um mês e duas semanas.
- Meu Deus, seu cabelo cresceu, o que mais eu perdi?
- Eu virei traficante de drogas e me envolvi com a máfia.
- Eu senti sua falta, apesar desse seu sarcasmo, filha.
- Eu te amo, mamãe.
- Eu também te amo.
- Eu odeio interromper esse momento mãe e filha - Rafael disse atrás de mim - Mas já que a Sophia não fez isso eu vou me apresentar, sou Rafael, prazer.
- Desculpe- me, senhor. Mamãe esse é o Rafael, meu...
- Namorado - Ele me interrompe, eu lhe lanço um olhar mortal. Ele me da um sorriso irônico, como quem dissesse "Eu venci".
- Ah. Namorado, eh, uhm, isso muda os planos.
- Que planos, mãe? - Nessa mesma hora ele entra em meu campo de visão. Lucas.
- Esse plano, Soh. - Ele está aqui, está mesmo. Eu não consigo achar minha voz. Só consigo olhar pra ele, aquele menino que por tanto tempo meu tormento aqui, que por tanto tempo me impediu de seguir, e ainda me impede, Rafael estava de prova.
- Lucas... - Rafael me olha, um olhar de pânico que eu nunca havia visto no olhar dele.
- Oi, Lucas, não é mesmo? O melhor amigo. - Ele destaca a palavra amigo.
- É, eu sou o Lucas, pelo visto ela fala bastante do amigo, ela nunca falou de você pra ninguém. - Meus Deuses, esses dois não podem ficar juntos no mesmo lugar.
- Ok, hora de ir pro meu apartamento, não acham?
- Sim isso mesmo. - Minha mãe concorda me lançando um olhar de pânico.
- Vamos - Rafael fala colocando um braço na minha cintura, possessivo.

Dei uma ultima olhada no Lucas antes de irmos pro carro, seus olhos não saíram de mim por um segundo, pareciam decepcionado. Mas por que? Eu que tive que ir embora pra esquecer ele, ele que não me quis, eu que sofri todo esse tempo. Agora que eu encontrei alguém que eu realmente quero ficar ele chega aqui em Paris esperando que eu o recebesse de braços abertos? Um ligação, uma ligação ele não me fez, eu passei um mês e meio achando que ele não tinha sequer lido minha carta, o que faz ele achar que tem algum estúpido direito sobre mim? Ele não tem.

- Sophia, querida, você está bem? - Minha mãe fala, estamos na mesa de jantar da minha casa, Rafael tinha feito o jantar, o melhor do mundo. O Lucas estava lá fora tomando um ar e o Rafael teve que ir até a casa dele resolver uma coisa.
- Sim, mãe, só estou um pouco distante. 
- Isso eu percebi sozinha.
- Por que ele veio, mãe?
- Ele passou um mês me perguntando de você, não parava de encher meu saco, quado descobriu que eu vinha comprou uma passagem pro mesmo voo, eu não poderia m livrar dele. Aí eu vi como ele estava empenhado em te ver, filha. Como você nunca me falou do Rafael eu achei que fosse uma boa ideia, seria bom vocês recomeçarem.
- Ele não me ligou uma vez, mãe, em todo esse mês ele não me fez uma ligação. Por que agora? Quando eu finalmente desisto de esperar. 
- Você vai ter que perguntar isso pra ele. - Ela diz olhando pra trás de mim. Eu me viro e lá estava ele, me olhando.
- Soh, podemos conversar?
- Claro.
- Bom, eu vou ligar pro seu pai - Minha mãe sai me dando um beijo na cabeça.
- Então...
- Soh, não faz assim.
- Assim como Lucas? Agindo como se você não tivesse me dado uma noticia sequer nesse mês? Será que é porque você não deu?
- Eu sei, eu sinto muito. Mas eu não sabia se você queria falar comigo.
- Acho que você só sabe tentando, não é mesmo?
- Eu entrei em desespero.
- HA, você entrou em desespero. VOCÊ entrou em desespero? O cara que beijou a ex na minha frente depois de pedir pra nós conversarmos.
- Ela que me beijou.
- E você odiou, não é mesmo?
- Eu preferia que fosse você.
- Clichê.
- Sophia, me da um desconto.
- Eu dei, por um mês, o que você fez? Ah é, você não ligou.
- Eu sei que errei.
- Ainda bem, né, capitão obvio?
- Você não está facilitando pra mim.
- Eu deveria? Jura, Lucas? Você acha que eu deveria?
- Eu te amo.
- Como!?
- Eu te amo, Sophia, e eu juro que vou fazer tudo que estiver ao meu alcance pra te reconquistar.
- Ok, agora eu preciso sair daqui. - Eu falei pondo a mão em meu cabelo, Lucas se aproximou de mim. - Não faça isso conosco, Lucas.
- Você está fazendo. Nós dois estamos sofrendo.
- Eu superei, Lucas. Não completamente, mas o Rafael...
- Aquele cara? Jura?
- Ele mesmo.
- Ele não é bom o suficiente pra você.
- Bom, ele estava aqui quando você não estava, não é? Eu vou tomar um ar, avisa a minha mãe, eu volto logo. Tchau, Lu.
- Eu não vou desistir.
- Mas deveria. - Digo e fecho a porta, vou até o elevador, entro e mergulho na tristeza. Senhora decepção, você é a pior.



Posts relacionados

0 comentários