A esperança é a última que morre

14:52

Serviços ambientais

Texto de Gabriele Cristine 

Sabe, às vezes tenho a ligeira impressão de que a humanidade vai de mal à pior. Na verdade, tenho quase certeza de que a humanidade vai de mal à pior. Tenho sentido uma certa tristeza ao assistir aos noticiários. Novas matérias, mesmos problemas: assassinatos, desvios de dinheiro, acidentes, estupros, etc. E então vejo uma ou duas boas notícias e minha fé nas pessoas aparece fragilmente, como a luz de um pisca-pisca de natal guardado há um tempo. Infelizmente essa fé se apaga, como se o pisca-pisca tivesse queimado, acompanhado de mais notícias ruins. O que está acontecendo? As pessoas sempre foram assim e só agora sabemos por conta da velocidade das informações ou é alguma doença infectando as mentes dos meros mortais? O que me incomoda mesmo é o fato de sabermos de tudo isso e, mesmo assim, não fazemos nada. Se você me perguntasse o porquê, eu provavelmente diria que é pelo fato de muitos já estarem acomodados com a situação. E ainda diria mais, diria que é também por nos sentirmos pequenos diante de tudo isso, como se não fôssemos conseguir deter algo que acontece há tanto tempo, coisas sujas encobertas por pessoas poderosas, que nos desencorajam. 

E como se já não bastasse a violência e a corrupção desenfreada, assistimos a lenta e contínua destruição do nosso planeta. Se tem uma coisa que não entra na minha cabeça, é isso: como existem pessoas que sabem e não se importam com a causa? O que se passa na cabeça delas? Todos sabem que sim, é errado poluir e sim, é errado fazer isso e aquilo. Então por que fazem? Ou se não fazem, por que deixam acontecer? Eu responderia as mesmas coisas da questão anterior, com uma diferença apenas: ninguém quer pensar no fim. Ninguém acorda e pensa: “poxa, e se um dia tudo o que eu tivesse simplesmente se acabasse?”. Estamos tão ocupados com nossas rotinas que esquecemos de refletir sobre muita coisa, e quando digo muita coisa é MUITA mesmo. Sem falar de coisas banais e chegando à um ponto mais sério, referente à nossa sobrevivência, imaginem um líquido tão essencial que não há palavras para descrever sua importância, ok? Ele se estende por quilômetros e quilômetros, e todos utilizam desse recurso, afinal, tem tanto dele... 

Agora imaginem algo o deixando sujo, contaminado, disseminando doenças à quem o consome. Existe apenas uma pequena porcentagem utilizável (ta diminuindo, hein?). Então você passa por uma rua e vê alguém limpando a calçada com o tal líquido, aquele que está ficando cada vez mais escasso. Depois, você vê alguém sujando ainda mais uma fonte de tal líquido. Vamos chamar esse líquido de Água. Simplesmente a coisa desandou, tem animais, pessoas morrendo. Ainda não falei nem de uma coisa que nos dá oxigênio, que cresce, às vezes floresce, e às vezes nos dá frutos. Acharam pouco contaminar a água e decidiram acabar com as árvores. Se ao menos replantassem em algum lugar depois de arrancá-las, porque poxa, quem vai substituir o trabalho delas? 

Acho que o ser humano tem sérias tendências ao suicídio. Qual o outro tolo que degrada o próprio ambiente em que vive? “Ah, mas vai demorar muito pra acontecer”, um dia há de chegar, e se você não se importa com o mundo em que seus filhos e netos residirão, você é um egoísta. Ninguém tem se importado muito com o próximo. Muito fácil dizer “amai o próximo como a si mesmo”, difícil é aplicar. São tantos problemas que listá-los aqui daria um livro dos grandes, daqueles que você passa meses tentando terminar. Mas o ponto é um só: eu não sei mais o que esperar das pessoas, às vezes tenho medo delas. Tento acreditar que onde há a maldade, existirá a bondade para enfrentá-la. Entretanto, tendo acesso à tantas notícias ruins que só tendem a aumentar, temo que a humanidade, de fato, não tenha mais jeito. Mas a esperança, ah... a esperança, que permeia nos corações dos sonhadores, ainda é a última que morre.


Postado por: Ana Letícia

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