A volta

12:00


- Lucas, querido. - Dona Vera me tirou de meus devaneios.
- Desculpe tia, falou alguma coisa?
- Não querido, eu estava apenas preocupada, faz meia hora que você olha pra essa parede branca. O que houve?
- Nada, dona Vera. Está tudo ótimo. - Ela sai de sua cadeira e fica em pé do meu lado, olhando para o nada. Estávamos no aeroporto esperando a hora de embarcar. O avião havia atrasado e a Sophia já tinha ido. Quando a verei de novo?
- Eu sei que você vai sentir falta dela, eu também vou.
- Como a senhora sabia que eu pensava na Sophia?
- Eu sou mãe, eu sei. Além disso, está na sua cara.
- Desculpa dona Vera, eu devo ter sido insuportável nessa viagem.
- Não, querido, nada disso. Você veio atrás do que queria, você conseguiu?
- A Sophia vai voltar conosco?
- Acho que você deveria ter vindo já sabendo que ela não voltaria conosco. Venha, vamos sentar. - Ela disse me puxando para sentar novamente na cadeira. - Lucas, você não falhou. Você veio pra Paris não sabendo nem se ela olharia pra você, tudo bem, foi uma surpresa desagradável saber com aquela situação que ela estava namorando. Mas aqui estamos, voltando com uma promessa que ela vai voltar para nos ver.
- Você é otimista, tia.
- Eu apenas olho o lado bom da vida, eu não vou estar aqui pra reclamar para sempre. - Ela ri,mas eu sinto um tom de amargura em sua voz, algo que poderia despertar lágrimas em mim.
- Tia? Você tem certeza que a senhora está bem?
- Tenho sim querido, só estou me sentindo só, eu naquela casa, sozinha. A Sophia era a única coisa que havia me restado depois que o pai dela sumiu de nossas vidas.
- A Sophia nunca me falou sobre isso.
- Ela odeia falar sobre isso. Roberto saiu de casa quando ela tinha 5 anos, desde então eles nunca mais se falaram.
- Ele não tentou contato?
- Várias vezes, querido. Ela tem um irmão de quatro anos. Mas ela nutre uma mágoa profunda do pai, eu não aprovo isso, mas eu eduquei a Soh para ela sempre respeitar a decisão de todos, e é isso que eu sempre fiz.
- Nossa tia, que complicado.
- Você não faz ideia. Mas eu acho que já está na hora de você parar de me chamar de tia, não acha?
- Por que? Eu sempre te chamei assim.
- Justamente,mas agora você é meu genro. - Ela ri e eu a acompanho.
- Quem dera, dona Vera. Mas isso não depende só de mim.
- Oh querido, acredite, é questão de tempo. Deus sabe como eu quero minha menina casando com você, não teria pessoa mais perfeita pra cuidar dela. Eu queria estar viva para poder ver ela subindo ao altar de braços dados com o pai indo m direção a você.
- Que isso tia. Você vai estar viva para ver até seus netos, sejam eles meus filhos ou não.- Nós rimos e continuamos a conversar. Dona Vera havia se tornado uma mãe pra mim antes mesmo que eu soubesse de onde vinham os bebês, e costumava dizer que a cegonha tinha me entregado na casa errada e eu era irmão da Soh. Como eu agradeço por isso não ser verdade, mas mesmo sem os laços de sangue dona Vera sempre vi ser minha mãe do coração.

"Passageiros do voo 6782 com direção a São Paulo por favor se dirijam ao portão 08 para embarque imediato."

- Acho que é nossa deixa, querido.
- Quer que eu leve as malas, dona Vera?
- Quero sim querido, obrigada. Adeus Paris. - Pego as malas dela e nos dirigimos ao portão, eu dou uma ultima olhada para trás. Adeus Paris, adeus Sophia, adeus felicidade, até daqui dois meses.

Postado por: Tuane Peres


Posts relacionados

0 comentários