Roteiros inúteis

12:00

*starts playing hiding tonight*

Estou tentando responder a perguntas que ninguém jamais fará. Perdendo meu tempo com diálogos inconstantes entre supostos protagonistas. Meu olhar perdido sempre encontra expressões confusas. Sorrio para elas, tentando disfarçar minha frustração. E me deixo levar, segundo depois, de volta para o universo paralelo onde eu projeto uma realidade muito mais fascinante. Parece papo de louco, mas é apenas imaginação. Apesar de que esta, às vezes, também pode nos tirar a razão. 

Assisto a filmes tentando absorver os detalhes, como se pudesse refleti-los na realidade. Parecem tão legais assim. Digo que gostaria de poder escrever alguns roteiros e dirigir produções marcantes, que fariam qualquer espectador assistir à tela escurecer com os créditos enxugando as lágrimas nos olhos. Mas, para ser sincera, eu não gostaria de transformar os roteiros em filmes. Gostaria de poder ser a protagonista. Incluindo todos os ângulos bem calculados, coincidências absurdas e até trilha sonora. 

Talvez eu prefira me apegar a essa possibilidade - impossível - a aceitar que, na verdade, a vida não segue roteiros cheios de tramas improváveis e cenas bem calculadas em que tudo se esclarece, e os mal-entendidos se dissipam. Na verdade, as injustiças acontecem, os desencontros acontecem e, na maioria das vezes, nada acontece. Nenhuma história. Nada para recordar e te fazer refletir após as luzes se ascenderem e todo mundo se levantar para deixar o saco de pipoca vazio no lixo. Apenas expectativas.

Queria poder ter a coragem dos heróis e erguer uma flecha apontada para algum super inimigo. Desvendar mistérios com astúcia, buscando cada pista de um quebra-cabeça macabro que se desenrolaria cheio de criaturas místicas. Rodopiar com um vestido cintilante enquanto me deslumbro com uma beleza estonteante refletida no espelho, sabendo que, em algum lugar do castelo, o tal príncipe encantado me aguarda com a rosa mais bonita do reino nas mãos. Ou, pelo menos, dançar Piledriver Waltz com alguém que me faça me sentir tão bem quanto a própria música, sem me importar com mais nada além de ter um "felizes para sempre" no final. 

Não digo que a vida não é incrível. Acredito que, às vezes, pode ser melhor que qualquer filme premiado pelo Oscar. Mas, geralmente, é apenas um documentário monótono sobre algum assunto sem graça para o qual ninguém realmente liga. E nós, por alguma razão, somos obrigados a assisti-lo. Até chegar o glorioso dia em que o nosso filme de fato acontece. Nós não estamos prontos, não podemos planejá-lo, nem esperar que dê certo. Haverá uma trilha sonora espetacular e os personagens serão tão marcantes que nos deixarão com um pouco de si para sempre. Porém, o mais importante, é que não podemos saber quando vai estrear. Apenas permanecer esperando enquanto assistimos aos filmes do outros. E tentar deduzir, em vão, como será a nossa história. 

Postado por: Ana Letícia

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