Pequenas Confissões: A Decisão

22:10


“Querido Lucas,

Está sendo muito estranho estar escrevendo pra você sabendo que você vai ler isso. Essa situação está sendo tão comum e tão estranha ao mesmo tempo. Eu tenho ha tantos meses conversando com você, dia após dia escrevendo todos os meus sentimentos, mas sem nunca enviar pra você, agora você sabe de tudo, ou vai saber, eu estou te enviando todas as cartas pra você, quem sabe você entenda tudo agora, não é mesmo.

Faz uma semana que você pegou aquele avião com a minha mãe de volta pra São Paulo, aqui estou eu as duas da madrugada sem sono escrevendo pra você, de novo. As coisas realmente viraram de cabeça pra baixo aqui depois da sua partida, eu não consigo mais falar com o Rafael sem pensar em você. Dormir virou uma atividade quase impossível, me viro na cama a noite toda pensando no que foi, no que pode ser e no que será. Tão irônico não é mesmo? Uma hora eu te tinha, mas não ligava, você passou ame ter, mas parou de me querer, quando finalmente nós nos temos existem milhares de quilômetros nos separando e meu coração totalmente dividido. Eu fico pensando, será que é pra ser, Lucas? Será que tudo não foi um sinal deveríamos desistir de ficar juntos e tentar apenas seguir em frente? Não seria mais fácil? 

Eu odeio te fazer esperar por uma decisão minha que eu não faço a mínima ideia se um dia, quem sabe, eu irei tomar. Eu nunca pensei que um dia a nossa amizade, meu futuro e o amor iriam colidir de frente desse jeito tão brutal e incisivo como está sendo. Eu estou em Paris, caramba. Eu não deveria estar feliz? Sempre foi o meu sonho e agora eu estou infeliz? Como o pivete que eu conheci com cinco anos de idade e morava do lado da minha casa conseguiu estragar o sonho que eu tenho há tantos anos? Uma pergunta tão imbecil, não é mesmo? Como se eu ou você já não soubéssemos a resposta para isso. Eu me apaixonei por esse menininho que pra mim sempre foi um irmão. O tempo muda as coisas, Lu.

E, com essa carta, eu vim te dizer que eu tomei minha decisão, Lucas...”

O telefone toca, interrompendo a carta que eu esperei tanto tempo para escrever. Eu pego o telefone e atendo, sem muita paciência pra conversa assim que vejo quem é.

- Oi, pai. Eu estou ocupada, pode ligar depois?

- Sophia, não desliga. É importante.

- Fala logo então.

- Você precisa voltar pro Brasil. Agora.

- Olha, eu não sei o que deu e você hoje, você não tem o direito de se meter na minha vida... – Ele me interrompe no meio da frase.

- Sua mãe está no hospital. É grave, eu não sei bem o que é, mas... 

Então o telefone cai da minha mão e fica tudo escuro, eu não escuto ou peso mais nada, a única coisa que passa pela minha cabeça é: Eu tenho que voltar pra casa.


INVASÃO: Gente, é a babi. Só vim invadir aqui para pedir perdão pelos últimos dias sem posts, foi uma questão de falta de tempo, comunicação e organização. Estou me sentindo bem culpada. Perdoem-nos!

Postado por: Tuane Peres

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