#Desafioimagem 03

10:34


Oi vocês,
Eu deveria ter postado isso antes, porque já faz uns três ou quatro meses que escrevi esse post, masss esse projeto não depende só de mim. Pedi a quatro amigas que colaborassem com o texto durante esse tempo, mas nenhuma delas enviou sua parte, pelos motivos delas. Porém, como eu tô meio em falta com o blog, resolvi postar mesmo que seja só o meu.

Para quem não sabe, eu criei o Desafio Imagem com o objetivo de pegar uma foto e escrever um texto baseado no que ocorre nela, então chamar dois amigos para escrever suas histórias também e juntar tudo no final, mostrando as diferentes interpretações sobre uma mesma cena. Porém, ficaremos por aqui só com meu texto <3 Para entender melhor o desafio, visite este post. Para ler o post número 02 da série, clique aqui.

Ana Letícia

O mar se agitava lá embaixo, enigmático e fascinante exatamente como alguém que eu conhecia. Porém, perigoso. As ondas se movimentavam em um ritmo violento, como se aquela imensidão de água fosse também uma imensidão de caos, mas, de certa forma, passavam uma sensação de tranquilidade que nenhum outro fenômeno poderia me causar. 

A praia era o meu lugar preferido. Adorava sentir a areia molhada sob os meus pés descalços e brisa acariciando meu rosto. Numa das minhas caminhadas pela orla a fim de ver o sol se pôr, alguém me chamou a atenção muito mais do que o maravilhoso céu ao entardecer jamais tinha conseguido. Ele também estava sozinho e tinha o olhar perdido nas ondas. Lembro-me muito bem daquele momento, assim como todos os outros em que o vi caminhar próximo ao mar até que nossos olhares se cruzaram. 

Eu queria mergulhá-lo, ir até onde fosse mais profundo, mas sabia que talvez não conseguisse achar o caminho de volta. Tinha medo de perder o fôlego e afundar cada vez mais. Seu sorriso me proporcionava paz, porém seu olhar nunca me transpareceu muita confiança. Não sabia bem como me sentir em relação a tudo isso, então eu apenas seguia em frente. E torcia, inconsequente, para que tudo aquilo durasse mais que apenas um verão. 

Ele se sentou ao meu lado, em silêncio. Ouvíamos somente o barulho das ondas quebrando na praia, enquanto nos abraçávamos no alto das pedras. Ele que tinha me levado lá pela primeira vez, poucas pessoas se arriscavam. Era o último dia de janeiro e nenhum dos dois tinha falado em despedidas. Trocamos algumas palavras sem importância e ele me entregou um concha de tons azulados, dizendo que a encontrou sozinha, destacando-se na praia, e que sentiu que ela era especial. Disse que me daria sorte, porque tinha funcionado com ele. 

No dia seguinte eu já estava em casa. Onde eu morava não havia mar. Tirei a concha do bolso e a examinei, rindo comigo mesma sobre como funcionavam aqueles romances de verão. E como a gente sempre acredita que eles vencerão as outras estações. Anos depois, perdi o amuleto. Não tive outras viagens à praia. Nem sei por onde anda aquele cara que me puxava para dentro d'água e destruía qualquer plano meu de permanecer seca. Mas as lembranças permanecem vivas até mesmo agora, que é inverno.


Postado por: Ana Letícia

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