Baseado em amores reais

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Foto por Eduardo Galvão | Parque Bacacheri, Curitiba, PR

É curioso observar o nascimento de um amor. Um novo amor, amor puro, amor que desconhece ainda as dificuldades e provações. Observar esse começo depois de ter vivido algo assim, tão forte, é uma das mais doces experiências existentes. A sensação é de estar vivendo aquilo mais uma vez.

Ali estão os dois, sentados, em silêncio. Eu não estava ali apenas como observadora, mas naquele instante, era como eu me sentia. Era como se eu estivesse lendo um livro, ou vendo um filme, a cena se desenrolava na minha frente, o amor se desenrolava ali.

Ela, tão sutil, tão natural e leve, apreciava a paisagem. Recuperava o fôlego, depois de gastarmos, os três, um bocado da energia que o ambiente nos proporcionava. E eu tentava vê-la pelos olhos dele. Como os olhos dela ficavam num tom tão belo com a luz do sol, como ela não se importava com a grama fazendo cócegas na sua pele, como o seu cabelo caía tão perfeitamente, mesmo depois de ela ter se movimentado tanto, o que deixaria qualquer uma com pelo menos alguns fios rebeldes.

Era como uma mágica acontecendo dentro dele, eu imaginava. E passei a ter tal certeza quando minha atenção se voltou para o sujeito. Olhava para ela. Não só a olhava como realmente a via, a admirava. O olhar dele para ela dizia tudo que as pessoas não conseguem traduzir com palavras sobre o tal do amor. Nem o mais realista filme de amor conseguiria captar aquele olhar.

Não pude evitar a lembrança. Foi uma saudade que chegou pra abraçar, nada daquelas que maltratam. Porque a gente sempre chegou mesmo foi pra se abraçar. E agora é a vez deles. Será que eles têm uma música? Provavelmente têm. Quantas canções não traduzem o que só os olhos sabem dizer! Mas eu não posso adivinhar, talvez deva emprestar algumas das nossas.

Ora, não faz ideia da carinha deles ao nosso refrão favorito. Cantei como não fazia há tanto tempo, porque o que senti ali, também há tempos não sentia. Era como se eu estivesse vivendo outra vez aquele começo de amor. Acho que eu estava, de fato.

Que importa? O que importava ali eram eles, são eles, é o amor que nasce e jamais morre, apenas se altera, para o bem ou para o mal. O que importa é o olhar acanhado dela quando ele repete aquele trechinho que eu sei que ele já mandou. O que importa são aqueles segundos de silêncio enquanto ele recupera o fôlego - e a cor - depois que ela sussurra que o ama.

O que importa, ao fim dos fins, é o amor. Novo, velho, eterno, precoce. Amor, amor, sempre o amor.

Baseado em um dia, um parque, um olhar e um amor real. 

Postado por: Bárbara Andrade

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