Era uma vez: O fim

22:21


Te ver e não te ter é uma das piores sensações que já senti. A saudade que tenho de você só não é maior que a saudade que eu tenho de nós e de cada momento que ficou marcado em mim. Recordar é uma maneira de te ter por perto, é uma maneira de aliviar essa saudade que tortura tanto. São lembranças que insistem em vir a tona, enquanto o coração implora pra deixa-las para trás. São lembranças que deixam uma sensação boa por terem sido vividas, e uma dor por saber que não serão mais repetidas.

E nesse momento, nada me machuca mais do que a tua ausência, nada me machuca mais do que desejar o teu abraço e não poder ter, nada me machuca mais do que a falta que o teu sorriso e as suas palhaçadas me fazem. Tudo, absolutamente tudo me faz lembrar a gente. E nada, absolutamente nada consegue preencher esse vazio que você deixou. Um vazio da tua voz, do seu toque, do seu perfume, da rotina, das tuas ligações, das nossas conversas, das nossas tentativas de fazer dar certo, dos nossos programas nos finais de semana, das tardes no seu quarto, e enfim, da pessoa que eu era antes de perder tudo isso.

É horrível te ter tão perto, passar por você e não poder te abraçar, te sentir, falar com você. A maneira como nos tratamos como dois desconhecidos me destrói em vários pedaços. É torturante não poder compartilhar pensamentos e acontecimentos contigo, não ter aquelas conversas que me deixavam tão fascinada pela sua inteligência e maneira de pensar. Sinto uma falta indescritível do ser humano incrível que você é, sinto falta dos seus conselhos e ensinamentos que com certeza me fizeram evoluir bastante como pessoa. Os seus valores me atraíam de tal maneira que me faziam querer ser cada vez melhor. 

Pode não ser amor, mas a admiração que você cativou de mim, fez eu me apaixonar completamente por cada pedacinho seu, até mesmo os defeitos. E dói saber que eu tinha cada pedacinho desse ao meu lado, e perdi todos eles. E dói mais ainda tentar seguir em frente, e ser puxada com tamanha força por toda essa saudade. O estrago foi grande, e agora eu realmente não sei como lidar com a falta que sinto de tudo isso, inclusive da tua companhia, do teu aconchego, do teu jeito. Já tentei pensar em você como uma pessoa qualquer, sem expressar nenhum tipo de sentimento. Mas não dá pra fingir que esse tempo que passamos juntos não mexeu comigo, me tirou do meu mundo e me fez perder o fôlego, não dá pra fingir que você não se tornou importante, não da pra fingir que a falta que eu sinto chega a ser absurda e dolorosa. 

Com você eu vivi coisas que eu sempre desejei tanto e que demorei tanto pra ter. As pequenas coisas, sabe? Andar de mãos dadas, o olhar sincero cheio de sentimento e desejo, o companheirismo, os carinhos, o fato de ter alguém. Eu me sentia no céu. Não existem palavras que descrevam como eu me sentia quando estava ao seu lado. Pra mim, não existia pessoa mais incrível pra estar, não existia alguém que me encantasse tanto e que me ganhasse tanto em cada pequeno gesto, no jeito de andar, de rir, de falar, de brincar, de me fazer rir. Você era exatamente como eu sempre quis, e a minha felicidade no começo de tudo era completamente inexplicável, não cabia dentro de mim de tão grande que era. 

Nada nesse mundo se compara à aquelas duas primeiras semanas que passamos juntos desde que começamos a ficar. Foram mágicas. Cada mínimo momento ficou tatuado em mim. Lembro-me de tudo em cada mínimo detalhe. Poderia contar aqui sobre cada segundo desses dias. Como no nosso primeiro final de semana juntos, que fui pra sua casa pela primeira vez, era um domingo, um dia depois que comemoramos o seu aniversário. No final do dia, fomos ao calçadão, e era só eu e você lá. Olhei pra você com um certo aperto no peito, e falei que nosso final de semana tão maravilhoso estava acabando, e então você olhou em meus olhos e disse algo que eu realmente não esperava: "Será? Será que não tá só começando?". 

Ah, e aquela rede, em que você cantou pra mim "Eis o meu coração". Ou então aquele dia que fomos ao aniversário do meu amigo e depois andamos apé por aquela avenida, procurando por uma parada de ônibus, e demoramos mais de 1 hora pra chegar na sua casa, e lá, fui surpreendida por seu pedido de namoro. Como não lembrar também de você falando que tava viciado em meus beijos? Como não lembrar de quando estávamos na parada de ônibus em frente ao shopping, e você me disse que era muito grudento e que isso não acontecia com as outras. Então você disse: "Você tá me mudando? É isso mesmo?". 

Como não lembrar de quando me senti cegamente preparada pra me entregar completamente a alguém pela primeira vez? Era tudo tão novo pra mim, eu estava tão encantada. Fui colocada lá em cima e depois despenquei, sem ter chão pra me amparar. 

Sei que tenho minha parcela de culpa, sei que fui estragando tudo aos poucos. Sou humana e errei, assim como todos já erraram alguma vez na vida. E às vezes tudo que eu mais queria era uma chance de fazer tudo diferente, de consertar aonde eu errei, de fazer certo o que eu acabei fazendo errado. Mas relacionamento quando se acaba uma vez, e não se tem sentimentos na mesma intensidade em ambos, é como um vidro quebrado, não tem conserto. 

Não sei bem a partir de que momento comecei a te perder. Mas antes de chegarmos ao fim definitivo, eu já sentia que te perdia aos poucos cada vez mais, e eu não conseguia fazer nada pra impedir que isso acontecesse, até tentei, tentei ser melhor, mas com o tempo eu parecia não ser mais suficiente pra você, tentei, mas não consegui. Me senti incapaz, me senti como se não houvesse conteúdo algum que fizesse você ter o mesmo interesse que tinha por mim no começo. 

O tempo tem passado, mas não tem levado com ele toda essa angustia que me maltrata tanto. Como apagar tão rápido todos esses momentos? Como não me sentir mal, se com você eu vivi coisas que nunca havia vivido antes? Talvez você nem saiba a intensidade que tudo isso teve pra mim em tão pouco tempo. E enquanto esses sentimentos predominam dentro de mim, em você eles já nem existem mais, ou talvez nem se quer existiram algum dia. 

Enquanto eu não consigo encontrar outros caminhos, outros ninhos, você já encontrou outro a muito tempo. Eu tento, mas não consigo me conformar que tudo acabou. Só queria conseguir passar por ti sem me abalar, sem perder o pulso, a força, o controle. Queria conseguir passar por ti e sorrir naturalmente sem nenhum tipo de sentimento. Só queria passar por ti como passo por qualquer outra pessoa e me sentir normal, ou melhor, não sentir nada.

No fim de tudo, o que eu realmente queria era conseguir te tratar com indiferença e frieza, passar por ti como se nem ao menos tivesse te conhecido algum dia, da mesma maneira que você faz comigo. 

Mas enquanto isso não acontece, vou seguindo em frente do jeito que dá, engolindo a seco os sentimentos, passando por cima da saudade, fingindo pra eu mesma que está tudo bem, e matando dentro de mim pouco a pouco tudo que aconteceu.


Esse é o primeiro texto que nós recebemos em resposta ao projeto Era Uma Vez Sua História (clica no título, galeris). Recebi de uma amiga extremamente querida, que me pediu para publicá-lo anonimamente. Como isso é uma possibilidade dentro do projeto (qual é, contar a história de amor é uma coisa, sair dizendo nomes é outra totalmente diferente, em alguns casos, é até motivos para treta), aqui estou eu respeitando o pedido dela. Mesmo assim, queria registrar o quão grande foi minha vontade de te abraçar por horas (e de dar uns tapas nesse mané).

Quero também agradecer (a ela e aos demais que já mandaram, ou confirmaram que vão mandar) pelas participações, envolvimentos e, principalmente, os incentivos relacionados ao projeto. Vocês todos são maravilhosos. Receber essas histórias nos fez um bem danado logo de cara e, segundo os relatos, também fez bem a quem as escreveu. Nós estamos extremamente empolgadas. Obrigada, obrigada, obrigada!



Postado por: Bárbara Andrade


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