Confissões de uma aspirante a escritora

10:25

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Eu sempre tive planos de escrever um livro. Algumas ideias já rondam minha mente há anos, e eu fui desenvolvendo histórias que pedem para ser colocadas num papel, mas que nunca tive iniciativa de realmente fazer isso. Até tive, para ser sincera, mas eu não perseverava, sabe? Eu me perdia na narrativa, ou relia e achava horrível, ou às vezes dava a desculpa de que estava atarefada demais para isso. Meus leitores de fanfic são os mais sofridos de todos, nunca terminei umazinha sequer. 

O problema, eu descobri, se resumia a covardia, preguiça e, principalmente, falta de planejamento. Covardia porque eu sempre tive medo de deixar que os outros lessem o que eu escrevo. Preciso passar meia hora reunindo forças para compartilhar qualquer texto daqui no meu Facebook, e meu consolo é saber que ninguém vê mesmo. Besteira, eu sei. Preguiça porque, bom, acho que dos pecados capitais, esse é o meu pior. Fico procrastinando e nem faço minhas obrigações, nem as coisas que eu queria. E falta de planejamento porque eu começava a escrever meio sem rumo, sabendo mais ou menos o que eu queria da história, mas sem ter exatamente uma linha para seguir até lá. Então eu me perdia, e quando ia ler o que já tinha escrito para me nortear, achava tudo horrível e desistia de vez. 

À medida que meu sonho de escrever um livro crescia, eu ia percebendo o quão difícil e trabalhoso isso é, e que é muito mais que apenas sentar, se inspirar e escrever. Primeiro é preciso determinação. Se forçar a escrever com frequência, treinando, aproveitando o tempo livre para soltar as ideias, ou fazê-las surgir. Nada de esperar momentos de criatividade esporádicos. É preciso coragem para levar os sonhos à frente e fazê-los acontecer. É preciso também conhecimento, porque uma boa história por si só não faz um livro. Uma bora narrativa também é feita de técnica, coisa que se aprende lendo e praticando. Ninguém nasce sabendo fazer mágica com as palavras. Isso é fruto do esforço. E, por fim, deve-se pôr no papel o que se quer da história, como será, o que se quer dos seus participantes. É fundamental para o desenvolvimento da trama. 

Começando pelos personagens, parte super importante da história, pois as ações deles é que, no geral, vão determinar o que vai acontecer. É preciso conhecê-los, entendê-los. Personagens rasos e habituais não convencem ninguém, a menos que você use esse recurso de propósito. Sim, porque sempre dá para sair das "recomendações" na hora de escrever sem ficar feio, mas para isso é preciso muito conhecimento, mais do que para fazer "certinho". É complicado criar alguém. Desenvolver seus medos, angústias, motivações, virtudes, falhas, passado, presente e o que quer do futuro. Embora seja um ótimo exercício de auto-conhecimento às vezes. 

Então, deve-se definir tempo, espaço, foco narrativo, entre outros detalhes de uma narrativa que parecem bobagem, mas que influenciam mais do que parece. Ter domínio da Língua quando se escreve também não é nada mal, sabe? Ou conhecer os caras que se destacaram na literatura, tentando aprender ao seu exemplo o que eles fizeram de tão certos para serem lembrados. Em resumo, estudar é necessário. E muito. Só assim é possível fazer as melhores escolhas para um livro.

Felizmente, durante esse processo entre ser uma mera aspirante a escritora e ter um livro escrito - o que também não me torna uma verdadeira escritora, mas já ajuda no caminho para esse objetivo -, tenho tido grandes ajudas de diversas formas. Primeiramente, tenho as meninas aqui do blog, é claro. Depois, tenho meus livros prediletos me servindo como inspiração. E, por fim, o livro "Para Ler Como Um Escritor", o site Ficção em Tópicos e um texto voltado para mulheres que querem escrever, que particularmente me tocou.

É claro que o texto que citei me acrescentou alguns medos, assim como reforçou outros. Às vezes penso em me jogar mesmo nessa vida, cursar Letras e tentar viver entre escrever, dar aulas de literatura e reunir minhas pequenas economias para conhecer o mundo. Porém, eu tenho medo de me arrepender. Chegar lá na frente e perceber que não era nada como eu esperava, sabe? Ficar pensando "nossa, eu devia ter seguido a expectativa das pessoas e ter feito mesmo engenharia civil" (é uma expectativa que se gera quando se cursa edificações, como é meu caso). Parece idiota, mas estou só sendo realista. E isso machuca. Perceber que talvez eu não seja boa o suficiente para fazer uma carreira literária vingar, especialmente nesse meio que todos dizem ser tão cruel. Disseram-me que era difícil seguir seus próprios sonhos, e agora entendo bem o porquê.

Bom, enquanto eu não decido exatamente o que faço com a minha vida, queria desejar boa sorte a todos que se identificam com esse texto. E dizer que, apesar de tudo, eu realmente estou focada em terminar um livro até o final do ano que vem. Se será publicado? Só Deus sabe, mas eu tentarei. Se não der certo, compartilharei de uma maneira ou de outra, mesmo sem ganhar nada em troca. Porém, se o universo colaborar comigo, e se, é claro, eu me esforçar também, será o acontecimento mais feliz da minha vida, podem ter certeza. Será um passo dado a caminho do sonho de ser uma escritora. Será uma barreira superada entre os meus medos e inseguranças. E será, sem dúvidas, motivo de muito orgulho e sorrisos meus por aí.

Postado por: Ana Letícia

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