Diário: Eu não sei lidar

13:39


Faltam 430 dias para o meu aniversário de 18 anos. Quando se é mais novo, parece um acontecimento extremamente especial, mas quase inalcançável. Porém, quando você se dá conta de que não está mais tão distante assim, torna-se banal, e, ao mesmo tempo, um tanto desesperador. É que quando eu paro para pensar na minha vida, vejo uma garota que beira os 17 com carinha de 13, com zero por cento de chance de sobreviver sozinha no mundo e sem saber direito que decisões tomar. Além de ver as responsabilidades chegando e ter como única certeza que não está preparada para isso. Onde está todas as maravilhas que eu imaginava quando tinha 12 anos?

Eu estava certa de que aos 16 anos eu seria super bem resolvida comigo mesma. Que teria um namorado incrível, um estágio ou algo assim, dinheiro e toda a maturidade e independência que todo mundo espera alguma hora da vida. Pena que nada disso tem acontecido (especialmente a parte do dinheiro, que pena). Eu esqueci de contar com todas as pressões e obrigações que surgem com o tempo, ou com o fato da vida simplesmente não ser um grande conto de fadas. E essas coisas todas são extremamente sufocantes. Então entra a minha ansiedade, ai já viu né?

É por isso que eu não tenho vontade de completar 18 anos. Adoraria parar nos 16 para sempre, está tudo bem assim. Digo isso apenas como simbolismo, porque o problema não está na idade em si. Falo da passagem do tempo, eu não quero que os anos passem e a minha vida mude. Eu não quero me tornar adulta e seguir todas aquelas regras, ter todos aqueles deveres e todas aquelas preocupações. Eu quero continuar chegando da escola, me jogar na cama e adormecer enquanto amaldiçoo meus professores menos queridos. Sem culpa. Ter minha mãe para sempre como meu porto seguro, forte, ao meu lado. Não precisar tomar nenhuma grande decisão nem me preocupar com o que eu vou fazer na faculdade e sobre isso afetar todo o meu futuro. Parece tudo tão maior que eu. É tão assustador.

Por outro lado, abrir mão de crescer é abrir mão de ter a oportunidade de evoluir. Tomar um caminho só porque sabe que é mais fácil é uma tremenda burrice. É muito ruim se acomodar na vida, conformar-se com ela. Especialmente se essa for uma atitude tomada por puro medo do desconhecido. Eu tenho medo de encarar a realidade, muito medo. É um temor sobre tomar as próprias escolhas, assumir responsabilidade sobre elas e ter consciência sobre a própria solidão no mundo. É muito difícil abandonar o mundo seguro e confortável da infância. Mas é necessário.

Eu sei que não sou a única que entende muito bem a frase: não sei lidar. Sei que não sou a primeira a passar por isso e nem a última. Acredito que muita gente nem liga para tudo isso que eu disse ou lida muito melhor com essa situação, mas não creio que toda essa segurança seja isenta de nem mesmo um friozinho na barriga. Um arrepio ao pensar no futuro. Afinal, não há ninguém que possa nos preparar para o que virá, e isso vale para qualquer situação na vida. É como entrar numa sala cheia de novidades de olhos vendados. E você nem sabe se valerá mesmo a pena. Você simplesmente é empurrado para lá, e precisa aprender a lidar com isso.


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