Pode me julgar que eu não ligo (mentira)

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Eu vou falar sobre uma coisa que me incomoda muito, mas não devia. Novamente, aqui estou eu falando sobre medo. Esse é um mal que eu tenho e que me cerca muito, sabe? Eu tenho medo de tudo que você possa imaginar, e isso me paralisa. Um dos mais frequentes, é o medo do que vão pensar sobre mim. Nossa, esse me atinge demais. E uma das consequências disso é me tornar uma pessoa fechada, que se recusa a expressar os próprios sentimentos. Por isso, santificada seja a escrita, que dá asas ao meu coração aprisionado. E abençoado seja o meu blog, que me dá suporte para isso. Ou deveria.

Parece estúpido (e é!), mas até aqui às vezes eu me vejo medindo o que falo. Perguntando-me o que sairia melhor dizer. Pior, tenho receio de expressar tudo o que eu sinto. Repreendo-me falando que é bobagem, que eu tenho que parar de ser besta e deixar de drama. Eu invalido e reduzo o meu sofrimento. Mas quem é que pode julgar o que eu deveria ou não sentir, e que sofrimento é plausível ou não? E por que eu me importo tanto se alguém está disposto a julgar isso? Porque eu sou a primeira a julgar a mim mesma.

Esse texto já se inicia com uma repressão. E, no dia a dia, é esse tipo de comportamento que eu reproduzo. Do julgamento a mim mesma, eu parto para os outros. Da minha própria preocupação com o que vão pensar de mim, nasce a minha preocupação com os outros. Se eu julgo alguém, é porque julgo quem eu sou também. Se eu me aceitasse e me concedesse liberdade, eu não precisaria acorrentar os outros assim como eu me aprisiono. Na realidade, tudo não passa de um movimento egocêntrico e infeliz.

Partindo desse pensamento é que eu reflito sobre a razão pela qual eu não devia me preocupar tanto assim. Porque se há alguém me julgando, eu estou sendo apenas um instrumento para alimentar o ego da pessoa em questão. Alguém fraco, inseguro, assim como eu estou sendo. Enquanto aquele cara que está dando ao mundo mil motivos para ser julgado, mas não lida porque acredita em quem ele é, está milhões de vezes mais feliz, pois ele não precisa olhar para ninguém para ter certeza disso.

Quando nós julgamos os outros, a preocupação verdadeira nunca está neles, o erro nunca está lá, mas está em nós mesmos. Tentamos nos afirmar e nos valoriza por meio da comparação com o próximo, através de um certo espelhamento. O que vemos de errado dos outros não passa de puro reconhecimento dos nossos próprios defeitos. Portanto, se sabemos que estamos sermos julgado, precisamos ter consciência de que, na realidade, não tem nada de errado conosco. Não há motivo para preocupação.

É claro que tudo isso é mais bonito na teoria. Na prática, não é tão fácil agir assim. Eu me pego todos os dias julgando os outros e me regrando. Mas isso gasta uma energia danada. É como trocar as lâmpadas da sua casa por um modelo mais econômico. Pode sair caro comprar lâmpadas novas, mas fazendo um balanço do quando de energia você gastava e o quanto você vai economizar com essa medida, vale muito mais a pena tomar essa atitude. É mais fácil seguir os outros. Aceitar-se é incrivelmente difícil. Além de ser um processo contínuo, mas fazendo um balanço, sem dúvidas sai muito mais em conta.

Eu tenho que parar de buscar a aprovação do próximo. Parar de tentar mudar coisas que não estão ao meu alcance e me culpar por isso. Parar de me procurar fora de mim. Parar de acumular tantos pesos desnecessários nas minhas costas. Parar para simplesmente não ser paralisada. E eu gostaria que quem está lendo isso também fizesse essa reflexão. Porque nós somos os únicos juízes que valem para nós mesmos. 

Por isso, eu vou mais é expressar meus sentimentos aqui sim. Ou pelo menos, tentar. E se alguém achar que é draminha ou desnecessário, pode fechar a aba do navegador e procurar algo que julgue ser mais enriquecedor. Já contrariando as expectativas ,não vou terminar esse texto-desabafo com frase de efeito nenhuma. Porque não sou obrigada. Nem mesmo sou remunerada para isso. Esse blog é meu refúgio, e sou grata por ter esse espaço todos os dias. Aliás, obrigada aos que ficaram até a última frase. E aguardem pelos próximos textos nada úteis que virão, como sempre, porque eu pretendo nunca deixar esse hábito de lado.





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