Uma palestra sobre ética - Dia Mundial da Filosofia

11:57


Eu escrevi um post há um ano (desculpa pela falta de imagens, nunca sei aonde elas vão parar) falando sobre a minha experiência no Nova Acrópole. Eu assisti a uma palestra maravilhosa e este ano tive mais um momento enriquecedor que preciso compartilhar com vocês <3 O tema discutido no Dia Mundial da Filosofia desta vez é Ética, que por acaso é algo que estou vendo nas minhas aulas de filosofia do ensino médio e também tem bastante a ver com o que tenho estudado em português, as tragédias. Porém, mais do que me ajudar no âmbito acadêmico, tudo o que aprendi na palestra ontem me ajudou a ser mais humana, porque me fez enxergar além e enxergar para dentro. Porque eu entendi que ter ética é isso, é olhar para dentro e, acima de tudo, saber valorizar o que vê.

Nós adoramos falar que queríamos que o mundo fosse mais ético, que houvessem mais pessoas justas, ou que a beleza estivesse mais presente. Mas o que significam esses conceitos? Nem sempre sabemos descrever. Então como saberemos que o mundo está mais ético, justo e bonito, se não temos como definir essas virtudes? É preciso conhecer o que é bom para saber aplicar. Está aí o papel da filosofia. Entender tudo isso e reproduzir esse pensamento porque sabe que é o melhor, não apenas para ser bem-visto ou algo de gênero.

Não devemos ser éticos porque temos medo de ser punidos. Não devemos ser éticos porque é algo valorizado e fica bem para nós sermos visto agindo de tal maneira. Não devemos ser éticos por simples convenção social. A ética nasce do respeito a você mesmo, portanto devemos ser éticos porque somos humanos e valorizamos isso. Afinal, se for apenas por medo da punição, do julgamento alheio ou de não cumprir alguma regra, o que faríamos se simplesmente não pudéssemos ser vistos? E se tivéssemos o poder de ficar invisíveis? Até onde iria a nossa ética? Deixaríamos de fazer o que é certo porque agora cremos ter a liberdade de fazer o que quiser? Pensando dessa forma, ser ético é apenas um dever que temos perante a sociedade. Mas se tivermos a consciência de que é algo muito além disso, que passa por nossa dignidade, sem ter nada a ver com outros, entendemos que nossa ética não deve se abalar sob nenhuma circunstância.

E afinal, o que é ética? Eu gostei muito do que o palestrante falou ontem. Ele disse que todas as coisas na natureza buscam a sua origem. Tudo tende a voltar para o seu estado inicial e de equilíbrio. Assim somos nós. Se você perguntar a qualquer ser humano, todos responderão, a sua maneira, que desejam ao seu redor apenas o amor, a paz, a beleza e a justiça, pois essa é a nossa essência. Ser ético é remeter a nossa origem. E mais, é ser livre. Descobri que a liberdade não é poder fazer o que quiser, mas é ter o poder de escolher entre o que é certo e o que é errado, e escolher o que é melhor. Ser ético é tomar as decisões que trarão o bem-estar interior e para todos ao seu redor. E fazer isso não por dever, mas por reconhecimento. Por valor a sua essência e a essência do próximo. Por respeito. Por ser humano.

Ainda sobre o que o palestrante falou, dando um de seus exemplos, existe a seguinte situação: você tem a opção de escolher entre duas pessoas para ter em sua vida, uma que é super bem-humorada, bonita, saudável, rica, carismática, divertida, inteligente, mas terrivelmente mau-caráter, e outra fraquinha, doentinha, não tão inteligente, apática, porém com um grande coração e que te ajudaria em qualquer situação, mesmo que, enfim, essa pessoa não consiga fazer nada. Qual você escolheria? Bom, eu responderia a segunda. Não suportaria o estresse de viver o tempo inteiro na expectativa de que aquela pessoa ótima fosse me trair, mas sentiria alívio em saber que estava cercada de bondade. E mesmo que sua resposta não seja essa, a sua sede pelo belo, pelo bom, deve se expressar de alguma outra forma, porque é isso que nós somos.

O problema muitas vezes é que estamos sempre querendo preencher nosso vazio existencial com outras coisas que não são verdadeiras. A peça que teve ao final da palestra, depois de duas belas apresentações musicais, tratou justamente desse tema. Foi muito engraçada, mas também deixou muitas questões abertas para se refletir. Sobre encontrar a nós mesmos e achar o que nos preenche. Sobre como tentamos fazer esse processo de fora para dentro e como isso é ineficaz. Sobre todas as futilidades que nos cercam e como nós engolimos isso. Foi maravilhoso.

Não falei nem metade de tudo que descobri hoje, nem devo saber de 1% de tudo o que eu poderia aprender, mas espero ter conseguido passar uma mensagem legal nesse post e incentivado ao menos um pouquinho o gosto de alguém pelo conhecimento. Agradeço imensamente a Nova Acrópole pela experiência, a Bárbara por insistir para que eu fosse a esse evento e a Talita por ter me acompanhado. Queria muito fazer o curso, mas o tempo é meu inimigo e está muito difícil encontrar espaço na minha agenda… Mas, bom, isso é assunto para outro post. Agora só posso garantir uma coisa: que ano que vem apreciarei esse evento de novo, e que escrevei mais um post profundamente inspirada também. Até lá.

Postado por: Ana Letícia

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