Açúcar ou adoçante? Eu ainda nem tenho 17!

22:09



Eu ainda nem completei 17 anos. Não que seja algo que eu queira fazer, na verdade eu estou um pouco apavorada com essa ideia. Completar 17 anos vividos, assim como foi completar os 16, implicará no surgimento de mais um bocadinho de responsabilidades. E os 18 também serão assim. Há, porém, uma mudança nessa tal responsabilidade a mais. 

Aos 17 anos, começam cobranças como: que curso você decidiu fazer? já tá procurando emprego? já tirou seu título de eleitor? já abriu a conta no banco? você quer estudar na federal ou tentar uma bolsa em alguma particular? você vai estudar pra concurso? 

O problema de todas essas perguntas é que nenhuma resposta será o suficiente. Não só para essas perguntas, mas para a maioria das que começam a surgir depois dos 15 anos. Se você é de exatas ou humanas, se é de esquerda ou de direita, se você quer açúcar ou adoçante, se você topa legalizar a maconha, se gosta ou não de uva passa no meio da ceia de natal, independente da sua resposta (e você aparentemente TEM sempre que já ter uma resposta), vai desagradar alguém. E isso é ok, não há problema nisso, não é possível agradar todo mundo de uma vez só. Mas não quer dizer que seja fácil encarar os olhares que você vai receber quando se tornar "a grande decepção" de alguém. 

A pior parte disso é que as pessoas criam uma imagem e uma expectativa de você. Elas moldam você dentro da cabeça delas, e quando você foge ao que elas imaginaram, torna-se a grande decepção. É ainda mais complicado quando se trata de família. Veja bem, olha só um exemplo: dividindo minha família em duas partes, a grande maioria da parte 1 diz-se de esquerda, e a grande maioria da parte 2, de direita. Eu, que ainda nem me sinto madura o suficiente e nem acho que já tive experiência e nem estudei o bastante para decidir se quero escolher um lado, me vejo no meio de tantos impasses e discussões, e me deparo olhares cheios de grandes expectativas pra mim, esperando que eu me posicione e diga se estou ao lado delas, ou contra elas - como se não existisse nenhuma outra opção. E aí eu fico pensando: o quão necessário é estar administrando isso tudo e ainda ter que não pirar? 

Talvez, em certas situações, não deva mesmo haver um preparo gigantesco e a gente deva só acatar as responsabilidades e aprender a lidar com elas na marra. Talvez em alguns casos (como o meu aniversário de 17 anos), não se deve estar pronto, e nem por isso a coisa tenha que deixar de acontecer. 

Mas, se você é uma dessas pessoas que tem uma imagem certinha de como eu (ou alguma outra pessoa, conversei com vários amigos e muitos se sentiram representados por esse sentimento que eu estou agora, meio que um desespero) sou na sua cabeça, você automaticamente está equivocado, considerando que nem eu tenho essa informação toda sobre mim. Você, que respeita o fato de que eu tenho meus limites e que, dentro deles, eu posso ter uma opinião divergente da sua, muito obrigada, você me traz um conforto extremo. 

Fala sério, eu ainda nem tenho 17 anos e tenho que medir palavra por palavra antes de falar qualquer coisa, para não ser atacada e bombardeada por todos os lados. Às vezes você nem sabe o contexto do que tá acontecendo a já chega com uma tese gigantesca querendo mostrar "o lado certo" da coisa. 

Então, por favor, respira um pouquinho e pensa no quão necessário é o seu comentário, no quão necessário é a sua cobrança. Muitas vezes a gente só precisa de um tempinho a mais para se decidir quanto a isso ou aquilo, e ter alguém ali, declaradamente esperando que você seja de determinada maneira e te lembrando disso a cada momento, dificulta um pouco as coisas e nos atrapalha durante o processo. 

Pense um pouquinho sobre isso e veja se você não está pressionando demais alguém com suas próprias expectativas. Não impulsione uma alma de artista plástica virar um corpo de dentista (e nem faça uma alma de dentista virar um corpo artista plástico) porque é o certo para você, ok? Muita essência se perde no meio disso, e definitivamente não é legal quando isso acontece.


Postado por: Bárbara Andrade


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2 comentários

  1. Você acabou de descrever tudo o que eu pensei esse ano. 2015 foi horrível (3° ano, enem, mudar de cidades). Em 2016 virão os 17 e todas essas questões. Mas quando a minha família vier pra cima eu vou apenas sorrir e lembrar das suas palavras, saber que eu não estou sozinha. Obrigada.
    By: Jéssica.

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  2. Jéssica, que abraço que foi essa sua resposta. Entendo muito bem das angústias de mudanças drásticas, apesar de não ter sentido ainda a pressão real do terceirão e do enem, mas acho que posso imaginar muito bem o quanto 2015 deve ter sido difícil pra você... Espero que 2016 seja melhor para nós todos e que continuemos conseguindo burlar todas essas questões que virão com os 17, 18 e o resto da vida. Fico feliz que tenha encontrado certo conforto nas minhas palavras e obrigada a você por me lembrar de que essa doideira toda não pesa só na minha cabeça. Um beijo e boa sorte!

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