Magia natalina

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Faltam menos de duas semanas para o natal. Não sinto como realmente esteja chegando, não é nada como era antigamente. Minha família costumava se reunir em peso, nós tínhamos uma ceia farta, o almoço do dia seguinte era animado e os amigos secretos, cheios de entusiasmo. Eu esperava ansiosamente pelo Papai Noel, mesmo sabendo que meu presente estava em algum lugar muito bem escondido da casa (tanto que eu nunca consegui encontrar). Quando as férias começavam, lá para o fim de novembro, eu me adiantava e decorava a casa com luzes e enfeites o quanto antes possível.

Esse ano, minhas aulas vão até o dia 23. E certos professores já avisaram que fazem questão de comparecer até o último dia. Não teremos amigo secreto da família, e o número de participantes vai ser reduzido também. As famílias crescem, mudam de núcleo, encontram outros lugares para comemorar o natal. A ceia ainda é farta, mas não tem mais aquela magia. Nem ligo para qual vestido irei usar. Eu sei, transformamos o natal numa maldita data comercial, e eu até fiz um post para falar disso alguns anos atrás. Mas ainda havia aquela magia, entende? Comercial ou não, era a minha data favorita.

Porém, consigo enxergar um lado bom nessa mudança de hábitos. É também uma forma de causar uma mudança de percepção. Digo, sem todas as luzes e presentes, o natal se torna apenas mais uma data religiosa. Não que isso seja pouco. Para mim, que sou católica, significa priorizar o meu dever com a Igreja. Mas não é disso que estou falando. O natal como nós conhecemos, sem a temática que o caracteriza, não passa de mais um dia de reunião com os familiares para comer e jogar conversa fora. Entretanto, não precisa ser só isso.

Estive numa sala de espera com duas meninas brincando no chão e a televisão ligada no noticiário, no qual estavam mostrando a alegria de crianças da rede pública de ensino ao receber seus presentes através do Papai Noel dos Correios. Os olhos de uma das garotas brilhavam quando ela dizia que finalmente ganharia uma boneca Barbie, algo que sempre desejou. Enquanto isso, uma das meninas brincavam no chão perto de mim soltou "nossa, uma Barbie qualquer um pode ter". Tudo bem, tratava-se de uma criança sem noção da realidade de desigualdades que figura em nosso mundo, especialmente em nosso país. Mas parece que muitas vezes nós incorporamos a personagem dessa menina e fingimos que todo mundo é capaz de ter o que nós temos, ou, até, que com tudo que possuímos, ainda estaríamos em uma posição de desvantagem. E, na minha concepção, o natal é a época perfeita para rever esse tipo de comportamento.

Incentivada por valores cristãos, os boatos de que as pessoas se sensibilizam mais no fim do ano, um restinho de fé que ainda tenho na humanidade, ou seja lá o que for, acredito que deveríamos dedicar essa época a repensar nossas atitudes para com o próximo e fazer uma auto avaliação a fim de nos tornar pessoas melhores. Contar quantas vezes durante o ano inteiro nós realmente nos mobilizados para ajudar alguém, ou o quanto nós deixamos de nos importar com quem não tinha nada para lamentar preocupações supérfluas. Separar aquelas roupas que a gente não usa mais, arrecadar brinquedos abandonados, doar sangue, não são atitudes grandiosas, mas pode fazer um bem bastante significativo na vida de alguém. Além disso, deveríamos refletir se temos feito mal aos outros, se tomamos cuidado com nossas palavras ou se vale a pena guardar tanto rancor daquela pessoa que nos magoou há muito tempo. Repensar inimizades, abandonar velhos hábitos, começar projetos novos que sempre deixamos de lado. Enfim, fazer uma faxina na nossa vida, dando espaço para que sejamos mais humanos.

É claro que todas as atitudes que eu citei são constantemente associadas ao tal espírito natalino. Mas as pessoas tem mania de fazer discursos bonitos, porém hipócritas, para celebrar coisas que elas nem mesmo entendem o sentindo. É muito importante que nos conscientizemos de que não basta esperar que o mundo se torne um lugar melhor, temos que dar nossa contribuição para isso. Será que estamos fazendo o bem que tanto desejamos? Ou será que eu só estou me preocupando se o presente daquele amigo secreto vai ser caro o suficiente? Não custa nada parar para pensar.


Postado por: Ana Letícia

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