Era uma vez a mulher da minha vida

14:42

Mmm, I love you ficctional caracter | via Facebook

Não foi um texto fácil de escrever, e a decisão de compartilhá-lo foi menos ainda. 

Ana Letícia. 

O mundo está sempre tentando dar às pessoas motivos para que elas não se amem. Então, hoje quero contar a história de como eu encontrei o amor mais importante que alguém pode cultivar na vida: o amor próprio. E isso não quer dizer agir como um idiota egoísta ou ter uma desculpa para ser um narcisista irritante. Significa conhecer os seus limites, para respeitá-los, e descobrir seus potenciais, para desenvolvê-los. Significa dizer não a toda uma industria que tenta vender seus esteriótipos doentios e decidir que você é capaz de definir o que é melhor para si. O que implica, é claro, em ser capaz de assumir suas próprias escolhas. E não sentir culpa por ser assim. Não sentir culpa por ser quem você é. 

É incrivelmente exaustante se sentir culpado, e, infelizmente, era assim que eu me sentia todos os dias. Já percebeu que há sempre uma vozinha no fundo da sua mente, te regrando e te punindo pelas coisas que te fazem feliz? A minha insistia incansavelmente para que eu atendesse às expectativas das outras pessoas. Se eu vacilasse com ela, era um terror. Ela me infernizava ao ponto de me deixar desesperada, com lágrimas nos olhos e pensando em fazer coisas realmente estúpidas. Eu não podia sair na rua sem que ela me fizesse acreditar que todos ao meu redor estavam me vendo, me julgando. E as consequências de tanta pressão vinham quando eu estava sozinha, em casa, na calada da noite, treinando papeis que não eram meus e tentando me encaixar em imagens que não me cabiam. 

Essa vozinha me fazia sentir culpa por nunca ser o suficiente. Eu transformava as expectativas dos outros no que eu esperava de mim mesma. Eu sentia que estava sempre dez passo atrás de todo mundo, em todos os aspectos. E que todos ao meu redor podiam encontrar companhia melhor que eu. Porém, antes que isso acontecesse, eu já estava afastando as pessoas. Estava dentro de uma bolha de raiva a mim mesma tão densa, que quando descarregar em mim não era o suficiente, eu descarregava nos outros. Pessoas que me amavam mais do que eu podia me amar. E que, ao contrário do que a vozinha me dizia, não ligavam nem um pouco para os detalhes que tanto me afligiam. 

Um dia, eu mandei a voz calar a boca. Eu lhe disse que não queria mais saber o que os outros gostariam que eu fosse ou fizesse. E que não sentiria mais culpa por ser como eu sou. Gostar do que eu gosto. Agir como eu ajo. Ter o corpo que tenho. Sorrir pelo que eu sorrio. E chorar pelo que me der vontade. Decidi que não ia mais engolir a minha dor, eu iria compartilhar com quem eu amo. E que todas as minhas mágoas precisavam, enfim, ser curadas. 

Eu não invejaria mais aquelas pessoas confiantes, firmes sobre quem são. Eu seria uma delas. Não temeria mais ser motivo do riso alheio, nem criaria mais problemas que só existiam no meu imaginário. Eu entendi que, se alguém precisa se comparar ao outro para se sentir ou provar que é melhor, ele está muito mais preocupado consigo mesmo do que com a outra pessoa. O problema todo está nele. E eu não devia me importar em ser objeto para alimentar o ego fraco de ninguém. O problema não era meu. Se eu era "melhor" ou "pior", não devia me importar mais. Sempre haverá gente "abaixo" e "acima" de nós.

É claro que essa não é uma daquelas histórias de amor à primeira vista, cuja admiração nasce em apenas uma noite. É do tipo que se descobre lentamente, cheia de obstáculos, em que tudo parece que vai dar errado, mas é forte o bastante para sobreviver no final. É do tipo que dura, que fortalece. Nos fortalece. Um amor assim não é um objetivo, é um processo, e precisa ser alimentado diariamente para não se abalar. Eu sei, dá trabalho, mas garanto que vale a pena todo o esforço. 

Sabe aquele filme "Como Se Fosse a Primeira Vez"? A garota precisa descobrir o amor todos os dias, e lembrar de todos os motivos pelos quais ele existe. Eu me sinto um pouco assim. Todos os dias, aquela vozinha maldita da me enche de argumentos e neuras, na tentativa de me convencer a voltar a ser sua escrava. Às vezes, ela consegue. Mas eu preciso lembrar de que sou dona do meu próprio mundo, e ele não cabe nos moldes de ninguém. 

É um sentimento libertador, que justifica muito bem os boatos de que o amor nos dá asas. O meu me deu muito mais que isso, me deu paz. E me deu fé para acreditar nos outros tipos de amor. Portanto, eu preciso me declarar. Eu, que nunca fui fã de demonstrações públicas de afeto, estou pronta para deixar que todo mundo saiba quem é a mulher da minha vida. Aquela que me conhece como ninguém, e sabe exatamente o que é melhor para mim. Que conhece meus sonhos, e os incentiva. E que vê minhas falhas, mas as acolhe e entende que são tão parte de mim quanto qualquer qualidade. Aquela que merece todo o meu amor, e muito mais: eu mesma. E que não depende de mais ninguém além de mim. 

O projeto Era Uma Vez reúne histórias de amor, de qualquer intensidade e de qualquer formato. Conheça mais sobre o projeto neste post, e nos envie sua história de amor através do email: cacadoradegalaxias@hotmail.com não seja tímidx <3

Postado por: Ana Letícia 

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