Resenha: Le Hérisson

16:55


Comecei a assistir o filme durante uma aula de filosofia, e fico feliz por não ter terminado em sala de aula, porque certamente meus colegas me veriam derramar algumas lágrimas. Por ser que eu seja meio sensível para filmes, mas dizer que Le Hérisson (O Porco Espinho) não tem uma história bonita seria uma grande mentira. 

Talvez, aos 11 anos, seja muito cedo para ter crises existenciais e marcar a data da própria morte; mas para Paloma, uma menina inteligente e muito rica que vive num apartamento luxoso com os pais e a irmã, é algo completamente plausível. A decisão ocorre porque Paloma se dá conta dos limites de seu "aquário". Na sua visão, a vida adulta é como um aquário que aprisiona as pessoas e não lhe dá muitas possibilidades racionais de se viver. Ela não quer isso para sua vida, concluindo que a única saída é pôr um ponto final. É claro que ela não poderia pensar diferente: com sua mãe distante e usuária frequente de ansiolíticos; seu pai, um político ausente; e sua irmã, bem mais velha e indiscutivelmente irritante. Um lar vazio e desequilibrado, tão singular quanto qualquer outra família infeliz. 

No calendário desenhado na parede, Paloma preenche cada quadradinho que representa o dia da maneira como se sente. O tempo corre, logo está muito próximo que ela pule para fora do seu aquário. Os remédios da mãe, pegos escondidos, já estão guardados em sua gaveta, meticulosamente calculados para que seja uma morte certa. E ela passa seus últimos dias com uma câmera na mão, percorrendo a casa e gravando um documentário, enquanto sussurra escondida suas opiniões pessimistas sobre seus familiares e o mundo que a cerca. 

Entretanto, seu filme toma rumos diferentes das filmagens monótonas da sua família quando novos personagens entram em cena. Paloma descobre um interessante segredo sobre a zeladora, Renée Michel, pois é capaz de enxergá-la mesmo que se a senhora se encaixe tão bem no seu papel invisível na sociedade. Além disso, seu novo vizinho também lhe mostra outras maneiras de encarar o seu aquário, e, aos poucos, Paloma percebe que a vida, na verdade, não possui paredes de vidro. É um infinito mar de possibilidades. 

Uma análise bacana que achei do filme foi neste link, se quiser ler. Mas não deixe de assistir ao filme antes disso (•‿•)

Postado por: Ana Letícia

Posts relacionados

0 comentários