Não é o final, mas é feliz: e longe de você

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Imagem de kiss, love, and couple

Eu devia ter desconfiado das suas palavras doces, ou do sorriso caloroso que você me dava quando queria que eu concordasse com algo. Talvez você tenha adivinhado que passo minhas noites de domingo acompanhada de um saco de pipoca e boas comédias românticas. Parecia que seríamos um daqueles casais de cinema, que se encontra por acaso e percebem que, apesar dos desencontros, o caminho leva a mesma unidade no final. Mas frases de feito não são muito confiáveis na vida real, e, mesmo que você se parecesse mais com o protagonista maravilhoso de algum livro de romance clichê, eu deveria saber que seus erros eram de verdade. 

Você agia com um feixe de luz do sol, deixando meus dias mais dourados, quentes e cheios de energia. Iluminava detalhes em mim que eu nem mesmo percebia. Mas cada elogio era seguido de uma intensão. Não era fácil desvendar o que os seus olhos verdes, vibrantes e enigmáticos planejavam para as nossas horas vagas. Talvez você só quisesse uma distração da sua própria bagunça, mas acabou  deixando um rastro de desordem na minha vida também. 

Não eram só as qualidades que você era capaz de mostrar, você me colocava limitações até um ninguém jamais tinha pensando em colocar. Era aterrorizante deixá-las expostas. Eu queria ser a personagem perfeita que fazia par com você no nosso filme de romance, e morria de medo de alguma garota metida aparecer para tomar o meu lugar de direito. Afinal, você deixava claro que sempre havia essa ameaça. E eu sentia que, sem um par, minha história estaria incompleta. Sonhos, conquistas, amizades, nada disso parecia páreo para uma bom romance. E assim, fui me deixando levar pelo seu roteiro. 

Para mim, não havia mais nada escrito. Era tudo para nós, ou, simplesmente, para você. Você também escrevia a meu respeito, mas deveria seguir a sua linha. E eu, encantada, seguia o script sem reclamar. A trilha sonora acusava que algo não estava indo bem, que eu talvez estivesse enganada sobre o mocinho. Mas segui em frente, ignorando todas as dúvidas, até chegar à gota d'água. Ou, como prefiro me referir, ao clímax do nosso filme macabro-pseudo-romance-inspirador. 

Foi aí que alterei meu papel de secundária, para protagonista da minha vida. Mudei meu figurino, tomei a caneta da sua mão e recomecei a escrever meu próprio roteiro. Provavelmente, agora há mais ar de romance na minha solidão do que na sua companhia vazia de mim. E não pense que deixei de acreditar nos filmes de romance por sua causa, eu só percebi que a vida não é feita de apenas um gênero. Há cenas de amor, de aventura, de mistério, de ação e de terror. 

Reconheço que juntos vivemos cenas de todos os tipos, mas, no final, você não passava de mais um vilão. Só não pense que sou a vítima! Porque de coitada eu não tenho nada. Algumas escolhas ruins devem ser feitas para encontrar o caminho certo. E eu estou bem feliz de tê-lo encontrado, bem longe de você.

Postado por: Ana Letícia 

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