Crônica: A pequena menina colibri

19:30


Lá vai a menina colibri. Voando, livre, batendo suas asas. Ela corre como se estivesse realmente voando. Seus cabelos castanhos são ondas que Iemanjá colocou em um ser. Ondas harmônicas em sua confusão esplendida. O sorriso tímido que ilumina meus dias de escuridão, aquela que faz tudo brilhar e ficar lindo. As mãos pequenas como as de uma criança, que combinam com sua alma eternamente jovem. Ela não é inconsequente. Ela tem medo, como qualquer pessoa nesse planeta. Seus olhos a entregam, por mais que ela odeie transparecer sua dor. Ela precisa de abraços constantemente. Sente necessidade de se sentir a amada, que as pessoas demonstrem seu amor. Ela é carente. Ela se odeia. Ela age de uma forma estranha quando acorda com raiva de si mesma. Como se o amor de sua vida a tivesse largado. Triste, porém real.

Lá vai ela, agora saltitando. Como um coelho atrasado. Em seus momentos felizes ela é uma deusa, já nos tristes ela se acanha, fica em seu pequeno mundo onde nem o vento o penetra. Ela é quente e fria ao mesmo tempo, seu abraço emana mais energia que uma usina nuclear. Seu coração bate em um ritmo desgovernado que forma minha música preferida, aquela que me acalma e sorrir. Aquela menina dos seus sonhos é perfeita demais, ela tem defeitos, os quais eu acolho. Acolher suas características, boas e ruins, é uma de minhas atividades preferidas assim como acolhe-la em meu abraço, em meus braços.

Aqui vem, a vejo com os meus olhos. Meus olhos famintos por mais dela, famintos pelo seu sorriso, pelo seu amor. O jeito que ela aperta a si própria quando sente que fez algo "ridículo", como se quisesse se proteger de algo, dos olhares, quem sabe? O jeito que ela sorri quando não sabe o que falar, ou quando faz piadas sem graça para puxar assuntos mais sem graça ainda, apenas para não deixar os outros perceberem o quanto ela está desconfortável com aquela situação. Quando ela coloca o cabelo atrás da orelha eu sei que ela está carente, querendo alguém com ela, porque logo em seguida ela se abraça e olha para o lado, só pra checar se ninguém notou aquilo.

Ela me olha, ela desvia o olhar, finge que nunca aconteceu, ela não gosta de demonstrar sentimentos. Ela se sente fraca, como qualquer um. Ela disfarça suas paranóias e pensamentos com sorrisos e palavras gentis para os amigos. Ela disfarça seu sofrimento com piadas. Eu não ligo, eu aceito, eu apoio ela. Tudo nela me encanta como se fosse feito pra mim, se encaixa. Ela tem seus problemas, assim como eu tenho os meus. Mas esse é o nosso pequeno segredo: Isso só a torna melhor e mais especial.

Postado por: Tuane Peres

Posts relacionados

0 comentários