Transição capilar é redescobrir-se

21:41


Euzinha, hoje mais cedo. 
Colocando fotos minhas no post para mostrar um pouco da auto-confiança que eu não tenho. 

Ao longo dos anos, meus fios anelados ganharam muitos apelidos criativos pensados por crianças travessas que davam gargalhadas das minhas lágrimas de frustração. As pessoas sempre me perguntavam quando que eu faria uma escova progressiva ou algo assim, mas minha mãe me proibia por medo de que eu tivesse alguma reação alérgica aos produtos. Sem falar que nenhuma de nós duas nunca soube cuidar muito bem dos meus cachos. Aos treze anos, comecei a fazer os tais dos "relaxamentos". Aos dezesseis, fiz a tão sonhada progressiva. Mas foi só uma vezinha. Depois de passar por todos esses processos, resolvi voltar às origens. 

Não pensem que transição capilar é fácil. Quando fiz a progressiva, a cabeleireira poupou as pontas e não colocou muito produto nelas, pois já estavam danificadas. Na foto abaixo, dá para perceber que meu cabelo estava liso, aí vinha uma parte ondulada que, posteriormente, se converteria em cachos, e as pontas super lisas e estragadas. Eu tinha meu cabelo dos sonhos, longo e liso, como as garotas bonitas das revista, mas ele estava tão ressecado e desuniforme que não valia a pena manter. Eu poderia ter cortado só essa parte e continuado com os alisamentos, mas eu escolhi redescobrir o meu cabelo. 

É, meus amigos, transição capilar é uma redescoberta. Eu alisei meus cabelos quando tinha acabado de entrar na adolescência, essa fase chata que a gente não sabe bem o que quer e acaba indo na onda dos outros. Agora estou prestes a sair dela (bom, teoricamente, porque na prática eu tô que nem aquele meme do Travolta perdido), o que será que mudou desde então? Dizem que os fios mudam na puberdade. Os meus são um campo ainda desconhecido para mim agora.

Dei sorte de o meu cabelo começar a cachear embaixo também, porque muitas mulheres têm que lidar com fios alisados e raiz crespa. Mas ele ainda não está uniforme e, a cada vez que corto meu cabelo, sinto que dou lugar a uma nova eu. Alguém que ainda estou conhecendo, mas sinto que sou capaz de confiar, como nunca fui com as anteriores. Talvez porque nunca tive coragem de tomar uma atitude drástica, uma que fosse contra todos os conselhos. Talvez porque, dessa vez, é uma ação baseada na minha própria opinião, e não nos gostos dos outros. 

Não estou aqui para criticar as mulheres que optam por cabelos lisos. Não mesmo! Até porque fui muito feliz na minha época e não me arrependo. Acontece que antes essa parecia a escolha certa, e agora, depois de tantas mudanças, não parece mais. Além disso, tomei algumas decisões para cuidar do meu cabelo, como começar o Low Poo. Ainda estou entendendo como ele funciona e o que eu faço para domá-lo, mas acho que a primeira lição eu aprendi: eu não preciso domá-lo. Posso cuidar dele, mantê-lo hidratado e brilhoso. Mas não posso tirar seu volume e sua rebeldia, porque, para isso, eu precisaria esconder sua verdadeira forma novamente. E isso eu realmente não quero.  

Meu real objetivo com esse post é atingir aquelas pessoas que estão balançadas. Aquelas que cansaram de "domar" seus cachos e estão pensando em passar pelo processo. Mostrá-las que é possível. Não quero apontar quem está certo ou errado, porque isso, de qualquer forma, não existem. Mas saibam que foi realmente libertador para mim assumir meus cabelos cacheados. Sendo que duas situações específicas são as que mais me deixam certa de que fiz a melhor escolha: quando as outras pessoas me elogiam pela coragem de soltar meus cabelos selvagens para que dançem livremente com o vento, e quando eu me olho no espelho, sorrio e digo para mim mesma "elas têm razão". 

Junho de 2015


Postado por: Ana Letícia 

Posts relacionados

5 comentários