Resenha: Como Eu Era Antes de Você

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É muito fácil julgar um livro pela capa. É muito fácil ver trailers de comédias românticas, apontar o dedo de dizer que é uma história previsível demais, que não vale a pena sair de casa para ir ao cinema assistir. De fato, "Como Eu Era Antes de Você" não é o filme mais inteligente do mundo e, se eu tivesse conhecimentos técnicos mais aprofundados em cinema, com certeza estaria fazendo mais algumas críticas. Mas a gente não precisa ver grandes obras o tempo todo, sabe? Às vezes tudo que nós precisamos é que o filme seja capaz de despertar algo de bom lá dentro. E esse é um desses filmes.

Antes de assistir ao filme, eu vi o trailer e achei muito revelador, como se eu pudesse deduzir toda a história a partir daquilo. Vi uma resenha (o vídeo abaixo) e ainda li uma reportagem sobre a polêmica que ocorreu, o que me deu spoiler do final (e eu odeio spoiler). Sentei na cadeira do cinema esperando ver uma história clichê, mesmo que eu realmente seja fã de comédias românticas, e desanimada por já saber o desfecho. Mas eu estava muito enganada ao pensar que aquelas duas horas de filme só valeriam a pena porque eu não paguei o ingresso (obrigada, mãe). 

De início, nós temos contato com a história de cada um antes de se conhecerem. Will (Sam Claflin), sua vida perfeita e como tudo que ele amava lhe foi tirado por causa de um acidente de moto. Louisa (Emilia Clarke), suas roupas excêntricas, seus dramas familiares e o quão doce era o seu coração, mesmo que isso fizesse com que ela fosse um pouco boba às vezes. Ele se mostra um cara muito amargurado logo de cara e ela se esforça para aguentar sua jornada de trabalho porque realmente precisa do dinheiro. Porém, aos poucos, Louisa vai conseguindo quebrar as muralhas que Will construiu ao seu redor, e é aí que a história dos dois realmente começa. 

A energia de Louisa é contagiante, ela é uma das personagens mais apaixonantes que já conheci. Suas roupas são definitivamente uma das melhores partes do filme, porque parecem uma combinação bizarra de roupas pouco comuns, misturadas de um jeito que nela ficam perfeitas. É claro que eu já amava a Emilia Clarke desde seu papel em Game of Thrones, mas Daenerys é muito séria, diferente de Louisa. Em "Como Eu Era Antes de Você" é possível ver toda a expressividade de Emilia, especialmente com suas sobrancelhas, que transmitem exatamente quais são os sentimentos da personagem em cena. Eu tenho certeza de que se cada um de nós tivéssemos um pelo menos um pouquinho de Louisa dentro de nós, o mundo seria um lugar bem melhor. 

E Sam Claflin é uma maravilha, não precisa nem de comentários. Eu também sempre gostei dele por causa de outros papeis, e com esse não foi diferente. Não vou fazer comentários sobre sua atuação e esse tipo de coisa, porque eu realmente não tenho propriedade para falar sobre isso. Porém, eu acho que ele foi muito bem, apesar de não tanto quanto alguns de seus colegas. Além disso, olha para esse cara: ele é incrível. Não tem como olhar para ele numa telona e não se apaixonar instantaneamente. 

Eu particularmente não gostei de ninguém da família da Louisa, com exceção da irmã, e odiei o namorado dela (Matthew Lewis!!!), mas provavelmente essa a intenção. Ele era um idiota, só pensava nele próprio e só depois de correr o risco de perder a Louisa é que ele resolveu dar algum valor a ela. Já a família do Will era ótima, era possível sentir neles a dor de quem passa por uma situação como a que eles passaram com o filho. E o médico do Will, apesar de não se destacar muito, realmente parecia ser um cara legal. 

A morte da minha dignidade foi declarada quando saí do cinema enxugando as lágrimas dos olhos. Mesmo sabendo do final, mesmo tento escutado as críticas, o filme conseguiu me envolver e me emocionar do começo ao fim. Além de me arrancar muitas risadas em diversas cenas. Foi até incômodo em algumas horas o quão alto as pessoas riam na sala de cinema (sério, eu sei que foi engraçado, mas não precisa ter um ataque, pessoal). Na saída, tinha até uma mulher na fila de espera para a sessão seguinte que viu as pessoas saírem com lágrias nos olhos e começou a dizer, brincando, que não quer mais ver aquele filme. 

Ela se arrependeria se não tivesse visto, eu aposto. É emocionante e inspirador. A cena final realmente me fez questionar se eu tenho mesmos seguido o conselho do filme e aproveitado ao máximo que a minha vida pode oferecer. Se eu tenho usado minhas "meias de abelhinha" por aí ou se eu tenho sido covarde demais para isso. 

Quanto ao debate acerca do filme: eu acho válido. Porém, não vejo como a história poderia ter terminado de outra maneira. Simplesmente não poderia. Eu entendo as revindicações, mas eu sei também que não era a intenção da autora passar essa mensagem quando escreveu o livro, mesmo que ela, de alguma forma, tenha passado. É um filme sobre aproveitar a vida, acima de tudo. E sobre fazer as próprias escolhas, o que deve ser respeitado. Para mim, a decisão do Will é digna, assim como a decisão de quem prefere o oposto. Apoio o fato de não terem mudado a história do livro.

Enfim: figurino lindo, sintonia perceptível do casal, músicas bem melosinhas que combinaram perfeitamente com o filme e conseguiram tornar as cenas ainda mais emocionantes, uma energia incrível transmitida pela protagonista e uma história envolvente capaz de arrancar lágrimas tanto de dor quanto de alegria. É sim mais um desses romances impossíveis feitos para garotas de coração mole se apaixonarem. Mas, quer saber? Eu sou mesmo uma dessas garotas <3


Postado por: Ana Letícia 

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