Sobre o quão difícil manter um blog pode ser

18:31



Esse é mais um daqueles textos aleatórios que eu escrevo enquanto deveria estar estudando biologia, porque estive procrastinando e olhando meus blogs antigos e isso me deu muito sobre o que pensar. Eram épocas tão mais fáceis. Eu tinha um blog super simples no qual eu fazia a arte de capa (que ficava breguíssima, porém meiga) e usava para escrever como se fosse um blog normal, mas trancado para o público. É, eu falava sozinha, de certa forma. O ponto é que eu queria muito escrever sobre tudo, mas tinha vergonha de deixar os outros lerem. Quando criei o Caçadora de Galáxias, finalmente tive coragem de divulgar meus textos para o mundo, mas essa coragem só veio aos poucos, confesso, e até hoje ainda não é 100%. 

Passei por muitas fases ao longo dos três anos desse blog. e atualmente eu decidi que seria totalmente espontâneo e sem cobranças, que eu só escreveria quando desse vontade e que era para eu cancelar todo e qualquer tipo de cobrança desnecessária, porque eu já tenho muitas (feitas, principalmente, pela minha própria cabeça) e o objetivo do CDG sempre foi ser uma via de escape. O problema é que essa vontade nunca vem. Faz muito tempo que eu não escrevo de verdade. E toda vez que tento escrever, desisto. Não sei se é falta de estímulo, tempo, disposição ou se é meu criticismo exagerado que consome toda a minha criatividade. Não sei se é porque toda vez que eu escrevo eu penso que tem mais de 200 pessoas curtindo a página do Facebook, incluindo conhecidos, e qualquer uma delas pode ler meus posts e me julgar. Não sei se é alguma parte de mim que se perdeu pelo meio do caminho, entre provas de biologia e outras obrigações, e se faz parte de crescer deixar para trás o mundo das nuvens no qual eu sempre vivi e tirei minhas ideias. Mas sei que preciso encontrar uma razão para o que está acontecendo, e o mais rápido possível. 

Nem os blogs que eu visito regularmente usando o Bloglovin são capazes de me fornecer inspiração. Comecei a me perguntar se não era falta de estímulo na minha vida. Porém, eu assistir a séries interessantes, passei por situações adversas e adquiri novos conhecimentos nesses últimos tempos. Tudo isso poderia ter virado material para postar. Talvez eu estivesse lendo muito pouco, e de fato eu estava. Me coloquei um desafio de ler um livro por semana, que eu não pude cumprir porque procrastinei isso também. Aí enxerguei a procrastinação como raiz do problema. Era uma delas, confesso. É fato que o que se vê nas redes sociais pode ser muito útil para estimular a criatividade, mas a gente acaba sendo consumido demais por elas. Eu estou sofrendo bastante para me desapegar do mundo online, mas eu estou tentando. Não que eu queira me isolar do mundo, mas tornar o hábito de me "atualizar" algo mais limitado seria bastante benéfico. E eu tenho certeza que isso não vai me ajudar só com o blog, mas com várias esferas da minha vida também. 

No entanto, o problema da minha falta de inspiração/disposição/sejaláoquefor para escrever se tornou uma árvore de tamanho considerável e, para eliminá-la, não basta podar: é preciso arrancar as raízes. Eu já tinha descoberto uma, faltava as outras. Uma delas era associada à anterior, que é o tempo. Com os anos, as responsabilidades aumentam e eu estou bem atarefada ultimamente. Pessoas com 17 anos hoje em dia têm mais o que fazer do que muita gente mais velha algumas décadas atrás, infelizmente. É para "garantir o futuro". Mas é verdade que tempo é questão de organização, então se eu conseguir administrar melhor minhas atividades, com certeza sobrará tempo livre para escrever. 

Ok, já temos o tempo. E a inspiração?

Aos 13 anos eu escrevia sobre livros, vinhetas na MTV, filmes que eu via no cinema perto de casa, os desenhos que eu fazia ocasionalmente, postava gifs engraçados e fala sobre mim. Era tudo muito descontraído e inspirado nos blogs que eu acompanhava na época. Eu era uma garotinha tímida que tinha sérios problemas de auto-estima, não se sentia confortável em quase nenhum ambiente e gastava as tardes entre sagas literárias e reclamações no Twitter. Apesar de hoje eu ser alguém muito mais forte que aquela garota que eu era anos atrás, ela ganha de mim facilmente no quesito criatividade. Eu perdi um pouco do medo do mundo que ela tanto tinha, mas esqueci o caminho que me leva até o meu intimo, onde ela se escondia. E quem não tem a si mesmo é quem está em verdadeira desvantagem. 

Além disso, cada vez mais os blogs parecem mais profissionais. Blogueiras que eu admirava antigamente, agora só fazem vídeos para o Youtube e eu nem me identifico mais com quem elas são, ou se tornaram. Há uma série de regas do que fazer ou não nas postagens, como divulgar em redes sociais, como deve ser a aparência do blog, etc. Sinto que aquele velho modelo de blog para dividir um pedaço da própria vida com os outros, que podiam se identificar com você e se sentirem acolhidos, se perdeu. E olha que eu nem sou propriamente dessa época. Pela minha idade, já cheguei no final da era. Mas era desse jeito que eu gostava mesmo. E sinto muita falta, sinceramente. Eu já devo ter falado disso um milhão de vezes aqui no CDG, mas nunca é demais. E sempre que eu acho um blog nesse estilo, eu salvo imediatamente. 

Agora vem a parte mais difícil. O criticismo. Todo mundo sabe que eu sou muito crítica (não, não tem nada de virgem no meu mapa astral, felizmente), especialmente comigo mesma. Sempre foi difícil para mim deixar que os outros soubesse que eu tinha um blog e que eu escrevia textos íntimos nele. "Que bobo né? Que cafona. Coisa de menininha idiota que não tem o que fazer." Isso é o que eu acho que passa na cabeça das pessoas quando descobrem esse fato sobre mim. Sei que não deveria me abalar nem um pouco, mas incomoda bastante. Sem falar que eu não consigo acreditar que tenho um potencial real para escrever. Às vezes até bate a esperança, eu acho que posso me tornar uma escritora de verdade (mas não famosa ~pés no chão~) um dia, mas o meu auto-julgamento sempre me diz que eu não sou boa o suficiente. Sei que se alguém dissesse isso para mim, eu diria que não adianta se comparar com os outros, que isso não é motivo para desistir e que a prática leva à perfeição. Mas eu sou uma baita de uma hipócrita mesmo. Pois é, Tuane, sabe aqueles conselhos que eu te dou? Realmente acredito neles aplicados a você, mas eu não sigo nenhum. E esse é provavelmente o raiz mais profunda e trabalhosa do problema. 

Eu voltei a desenhar um dia desses. Não é grande coisa, desenhar é puro passatempo para mim. Estou tentando estabelecer metas de leitura mais reais. Tentando me afastar de redes sociais, focar nos meus estudos e aproveitar meu tempo livre para me enriquecer de corpo e mente. Até porque a internet me deixa triste de muitas formas e, apesar dos maravilhosos recursos que ela me dá, sempre há um lado ruim. Ei, isso dá um tema para post. Só falta a disposição para escrever. E disposição, como eu arranjo? Às vezes é preguiça mesmo, às vezes é a ansiedade que não me deixa me concentrar em nada. Mas a gente vai tentando. Uma hora dá certo. 

Eu nunca vou voltar a ser aquela garota que escrevia em blogs despretensiosamente só para se esconder do mundo e externar o universo que existia dentro dela, mas sei que ela ainda está em algum lugar aqui dentro me empurrando para frente. Eu não tenho mais medo mas pessoas como ela tinha, eu não tenho mais medo de assumir quem eu sou (apesar de ainda ter medo do retorno que tal atitude pode ter) e não tenho mais as tardes livres como ela tinha. Mas eu não quero se alguém completamente diferente disso. Eu só quero ser eu mesma. E escrever definitivamente faz parte de quem eu sou, por isso é tão importante. Por isso o blog é tão importante. E eu não posso desistir dele.

OBS: Obrigada Babi, Tuane e todos os colaboradores que enviam seus textos para o blog por manterem o Caçadora de Galáxias vivo. Eu fico muito feliz que vocês façam parte disso. 

Postado por: Ana Letícia 

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